Diabetes atinge um em cada dez adultos, segundo levantamento da OMS.
As duas doenças têm grande impacto sobre o coração.
Um em cada três adultos sofre de hipertensão arterial, ou pressão alta, uma condição que causa cerca de metade de todas as mortes por derrame e problemas cardíacos no mundo, destacou nesta quarta-feira (16) a Organização Mundial da Saúde (OMS) em seu relatório anual sobre estatísticas sanitárias. A diabetes, que também tem grande impacto sobre a circulação, atinge um em cada dez adultos.
"Este relatório oferece uma evidência a mais do aumento dramático das condições que desencadeiam os problemas de coração e outras doenças crônicas, particularmente nos países pobres e em desenvolvimento", disse a diretora geral da OMS, Margaret Chan.
Chan ressaltou o preocupante fato de que "em alguns países africanos, metade da população adulta sofra hipertensão", razão pela qual a OMS quer chamar a atenção para "o crescente impacto das doenças não contagiosas".
No Brasil, os dados mais recentes são da pesquisa Vigitel, feita por telefone nas 26 capitais e no Distrito Federal. Segundo esse levantamento, 22,7% dos adultos do país têm hipertensão, enquanto a diabetes atinge 5,6%.
Dados inéditos
O levantamento, feito anualmente pelo ministério desde 2006, traz um diagnóstico da saúde do brasileiro a partir de questionamentos – por telefone – sobre os hábitos da população, como tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, alimentação e atividade física, e doenças, como a hipertensão e a diabetes. Em 2011, foram entrevistados 54.144 maiores de idade de janeiro a dezembro.
Pela primeira vez, o estudo estatístico da OMS inclui informação de 194 países sobre os altos níveis da pressão sanguínea e da taxa de glicose no sangue em homens e mulheres. Os dados revelam, entre outras coisas, que os diagnósticos e os tratamentos baratos destas doenças reduziram o problema nos países desenvolvidos.
A preocupação da organização é que em lugares como a África, onde não são aplicadas estas medidas preventivas, a maior parte das pessoas com estas doenças não sabem que correm um "alto risco de morte e incapacidade por um ataque no coração ou um derrame".
O documento contém também informação sobre níveis de glicose no sangue. A prevalência média global de diabetes está em torno de 10%, mas o índice chega a até um terço da população em alguns países do Pacífico.
A OMS lembra que, se não for tratado, a diabetes pode causar doenças cardiovasculares, cegueira e falha renal.
A terceira grande preocupação é o excesso de peso, já que "em todas as regiões do mundo, o número de obesos dobrou entre 1980 e 2008", declarou Ties Boerma, diretor do Departamento de Estatísticas Sanitárias e Sistemas da Informação da OMS.
"Hoje, cerca de 500 milhões de pessoas (12% da população mundial) são consideradas obesas", segundo Boerma.
O nível mais alto de obesidade foi registrado na região das Américas (26% dos adultos) e o mais baixo no Sudeste Asiático (3% dos adultos), sendo maior a proporção de mulheres obesas que a de homens. A obesidade aumenta risco de diabetes, problemas de coração e câncer.
A conclusão é que as doenças não contagiosas são atualmente a causa de dois terços das mortes no mundo, e por isso a OMS trabalha em um marco de acompanhamento e uma série de metas voluntárias para prevenir e controlar o problema.
Avanços
O relatório será um dos assuntos abordados na próxima Assembleia Mundial sobre a Saúde da OMS em Genebra (entre os dias 21 e 26 de maio), que também informará os avanços conquistados. Segundo a OMS, desde que se estabeleceram os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da ONU, há mais de uma década, "foi possível um progresso substancial na redução da mortalidade infantil e maternal, em relação ao HIV, à tuberculose e à malária".
A desnutrição infantil ainda é a causa subjacente de aproximadamente 35% das mortes de crianças menores de cinco anos, embora no caso dos países em desenvolvimento tenha sido detectada certa melhora: entre 1990 e 2010 a proporção de crianças dessas idades que apresentavam peso abaixo do recomendável passou de 29% para 18%. Já a mortalidade entre menores de cinco anos nas últimas duas décadas reduziu 35% no mesmo período.
"As reduções foram particularmente impactantes nas mortes por diarreias e por sarampo", destacou a organização.
Especialmente significativo é o dado sobre a África, onde acontece metade das mortes de menores de cinco anos, já que a taxa de redução passou de 1,5% (1990-2010) para 2,8% (2005-2010).O dado de redução é grande também no que se refere ao número de mortes maternais -- de 543 mil em 1990 para 287 mil em 2010 --, mas a OMS indica que 'a taxa de redução é apenas a metade do necessário para conseguir o objetivo relevante dos ODM'.
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16 de maio de 2012
30 de abril de 2012
Alta no número de obesos em Curitiba acende alerta contra pressão alta
Doença atinge 30% dos brasileiros e pode provocar infarto e derrame.
Dados do Ministério da Saúde revelam que a proporção de pessoas acima do peso em Curitiba cresceu nos últimos seis anos. O percentual de obesos subiu de 12,3%, em 2006, para 16% em 2011. Com relação ao excesso de peso, houve um aumento de 7%, ou seja, 50% da população estão inseridos neste quadro. O número é maior que a média brasileira de 48,5%. O excesso de peso e a obesidade são vilões da boa forma e estão entre as principais causas da hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta.
A doença pode provocar sérias complicações, como infarto, derrame cerebral, insuficiência cardíaca e renal. O problema atinge 30% da população nacional, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. E por isso autoridades da área de saúde tentam alerta a população. Nesta quinta-feira (26), é comemorado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão.
Hipertensão atinge 30% da população brasileira (Foto: Michel Willian/SMCS/DIvulgação)
De acordo com o professor de Cardiologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Francisco Maia existe uma relação direta entre a obesidade e a hipertensão. "Pesquisas revelam que a redução de 10 kg já diminui a pressão arterial em consideravelmente", explicou.
Para ser considerado hipertenso, o indivíduo precisa manter a pressão arterial acima de 14/9, explica Maia. "É um inimigo silencioso. Muitas vezes as pessoas não têm nenhum sintoma", adverte o médico.
É o caso do procurador aposentado Osmar Rodrigues. Aos 40 anos, ele descobriu que tinha hipertensão. "Minha pressão chegou a 18/10. Mas, como não me trazia mal estar, não procurei tratamento", confessou. Hoje com 63 anos, Osmar se arrepende por não ter sido mais cuidadoso com sua saúde. "Não é aconselhável esperar como eu esperei. A doença agravou-se e agora tenho também diabetes e problemas no coração", contou. O procurador conseguiu controlar a pressão com uma mudança nos hábitos e com o auxilio de medicação. Ele incluiu caminhadas e aderiu a uma alimentação balanceada.
Mas nem sempre é fácil manter-se na linha. "Uma alimentação saudável exige certa disciplina. Não pode exagerar", contou o professor Orlando Frizanco. Em 2000, ele descobriu que era hipertenso e a notícia provocou uma transformação em seus hábitos. "Passei a comer nos horários certos, inclui a salada na dieta e evito gorduras ou frituras", exemplificou.
Para Everton Dombeck cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini, o paciente precisa tomar consciência da gravidade da doença. "Hoje há muita informação. Todos sabem o que precisa ser feito para ter uma vida saudável, mas falta operacionalizar essa mudança de hábito", admitiu.
A obesidade, o sedentarismo, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e o estresse, aliados a fatores genéticos são as principais causas de hipertensão. "Pessoas com elevados níveis de colesterol e diabéticos também têm mais probabilidade de desenvolver a doença", acrescentou.
Outro vilão é o sal, quando consumido em exagero. A quantidade não deve passar de três gramas diárias, que correspem a três colheres rasas de café.
A hipertensão não tem cura, por isso é preciso investir na prevenção, advertiu o cardiologista. "Quem não têm a doença deve medir a pressão a cada dez dias. Já os pacientes hipertensos precisam aferir de duas a três vezes por semana", relevou. Segundo ele, os jovens também devem realizar o exame a cada três meses.
Dados do Ministério da Saúde revelam que a proporção de pessoas acima do peso em Curitiba cresceu nos últimos seis anos. O percentual de obesos subiu de 12,3%, em 2006, para 16% em 2011. Com relação ao excesso de peso, houve um aumento de 7%, ou seja, 50% da população estão inseridos neste quadro. O número é maior que a média brasileira de 48,5%. O excesso de peso e a obesidade são vilões da boa forma e estão entre as principais causas da hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta.
A doença pode provocar sérias complicações, como infarto, derrame cerebral, insuficiência cardíaca e renal. O problema atinge 30% da população nacional, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. E por isso autoridades da área de saúde tentam alerta a população. Nesta quinta-feira (26), é comemorado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão.
Hipertensão atinge 30% da população brasileira (Foto: Michel Willian/SMCS/DIvulgação)
De acordo com o professor de Cardiologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Francisco Maia existe uma relação direta entre a obesidade e a hipertensão. "Pesquisas revelam que a redução de 10 kg já diminui a pressão arterial em consideravelmente", explicou.
Para ser considerado hipertenso, o indivíduo precisa manter a pressão arterial acima de 14/9, explica Maia. "É um inimigo silencioso. Muitas vezes as pessoas não têm nenhum sintoma", adverte o médico.
É o caso do procurador aposentado Osmar Rodrigues. Aos 40 anos, ele descobriu que tinha hipertensão. "Minha pressão chegou a 18/10. Mas, como não me trazia mal estar, não procurei tratamento", confessou. Hoje com 63 anos, Osmar se arrepende por não ter sido mais cuidadoso com sua saúde. "Não é aconselhável esperar como eu esperei. A doença agravou-se e agora tenho também diabetes e problemas no coração", contou. O procurador conseguiu controlar a pressão com uma mudança nos hábitos e com o auxilio de medicação. Ele incluiu caminhadas e aderiu a uma alimentação balanceada.
Mas nem sempre é fácil manter-se na linha. "Uma alimentação saudável exige certa disciplina. Não pode exagerar", contou o professor Orlando Frizanco. Em 2000, ele descobriu que era hipertenso e a notícia provocou uma transformação em seus hábitos. "Passei a comer nos horários certos, inclui a salada na dieta e evito gorduras ou frituras", exemplificou.
Para Everton Dombeck cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini, o paciente precisa tomar consciência da gravidade da doença. "Hoje há muita informação. Todos sabem o que precisa ser feito para ter uma vida saudável, mas falta operacionalizar essa mudança de hábito", admitiu.
A obesidade, o sedentarismo, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e o estresse, aliados a fatores genéticos são as principais causas de hipertensão. "Pessoas com elevados níveis de colesterol e diabéticos também têm mais probabilidade de desenvolver a doença", acrescentou.
Outro vilão é o sal, quando consumido em exagero. A quantidade não deve passar de três gramas diárias, que correspem a três colheres rasas de café.
A hipertensão não tem cura, por isso é preciso investir na prevenção, advertiu o cardiologista. "Quem não têm a doença deve medir a pressão a cada dez dias. Já os pacientes hipertensos precisam aferir de duas a três vezes por semana", relevou. Segundo ele, os jovens também devem realizar o exame a cada três meses.
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hipertensão arterial
4 de julho de 2010
Hipertensos não sabem relacionar sal e sódio nos rótulos dos alimentos.
Pesquisa realizada por um instituto de cardiologia com 1,3 mil pessoas mostra que 93% não conseguem calcular a quantidade de sal com base na de sódio. Consumo recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de 6 g por dia, ou seja, uma colher de chá
04 de julho de 2010 | 0h 00
Karina Toledo - O Estado de S.Paulo
Reduzir o sal na dieta é a primeira recomendação que um portador de hipertensão recebe do médico. Mas uma pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia com 1.294 hipertensos mostrou que 93% deles não sabem fazer a relação entre o sal e o sódio descrito nas embalagens de alimentos. Pior: 75% nem sequer leem os rótulos e 45% não sabem que os produtos industrializados podem conter sal.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o consumo diário de sal não deve exceder 6 gramas por dia - uma colher de chá. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) deve lançar em breve uma nova diretriz reduzindo esse valor recomendado para 5 g.
Estudo recente no New England Journal of Medicine apontou que diminuir o consumo de sal pode reduzir doenças cardiovasculares tanto quanto parar de fumar, combater a obesidade e controlar o colesterol. O problema é que a tabela nutricional das embalagens não informa a quantidade de sal e sim a de sódio - um dos componentes do sal de cozinha e o verdadeiro causador da pressão alta.
Para aumentar a confusão, o sódio não está apenas em alimentos salgados, mas também em conservantes (nitrito de sódio e nitrato de sódio), adoçantes (ciclamato de sódio e sacarina sódica), fermentos (bicarbonato de sódio) e realçadores de sabor (glutamato monossódico).
"Isoladamente, o sódio não tem sabor, mas apenas 24% dos entrevistados sabiam disso", diz a nutricionista Cristiane Kovacs, uma das autoras do estudo. "Costuma-se recomendar a redução no consumo de sal porque ele é a principal fonte de sódio da alimentação, mas não é a única."
O cardiologista Daniel Magnoni, coordenador da pesquisa, explica que é preciso multiplicar o valor de sódio no rótulo por 2,5 para saber o quanto aquilo corresponde em gramas de sal. Um alimento com 500 mg de sódio representa 1,25 g de sal (mais informações nesta página).
"Estou elaborando uma proposta governamental para alterar a informação dos rótulos para que contenham a quantidade de sal", diz Magnoni. Mas, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, não seria possível fazer essa alteração porque muitos alimentos - como o leite - contêm naturalmente sódio, mas não sal. "Declarar a quantidade de sal em um alimento que não teve adição desse ingrediente seria enganar o consumidor", afirmou a agência em nota.
Orientação. Os pacientes não estão sendo adequadamente orientados, admite Magnoni. "O médico não tem tempo de falar sobre alimentação no hospital público. Ele atende a muitos pacientes e tem de falar de cura, de remédios. A porta de entrada do sistema de saúde tem de ter um nutricionista."
Outra saída para reduzir não apenas os índices de hipertensão, mas também de diabete e obesidade, seria incluir no currículo escolar informações sobre alimentação saudável. "Isso é um problema de saúde pública, custa bilhões ao sistema de saúde. Se eu fosse assessor do próximo presidente, criaria o programa Obesidade Zero."
Levantamento recente do Ministério da Saúde apontou que a hipertensão atinge um em cada quatro brasileiros. O número de casos cresceu 13,4% nos últimos três anos, passando de 21,5% para 24,4%. Entre as pessoas com mais de 65 anos a prevalência é de 63,2%. A pressão alta é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, o que explica porque a cada ano 315 mil brasileiros morrem de enfarte ou acidente vascular cerebral (AVC). Isso corresponde a quase 30% das mortes.
E mesmo os hipertensos que sabem da doença e têm acompanhamento médico há mais de cinco anos abusam do sal. "Em vez de reduzirem o consumo, vão aumentando a quantidade de medicamentos", conta Magnoni. Quase 30% dos entrevistados afirmaram tomar dois ou até três medicamentos para a pressão. Os pesquisadores apontam como principais vilões da alimentação desses pacientes os temperos prontos, enlatados, conservas, queijos e embutidos.
04 de julho de 2010 | 0h 00
Karina Toledo - O Estado de S.Paulo
Reduzir o sal na dieta é a primeira recomendação que um portador de hipertensão recebe do médico. Mas uma pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia com 1.294 hipertensos mostrou que 93% deles não sabem fazer a relação entre o sal e o sódio descrito nas embalagens de alimentos. Pior: 75% nem sequer leem os rótulos e 45% não sabem que os produtos industrializados podem conter sal.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o consumo diário de sal não deve exceder 6 gramas por dia - uma colher de chá. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) deve lançar em breve uma nova diretriz reduzindo esse valor recomendado para 5 g.
Estudo recente no New England Journal of Medicine apontou que diminuir o consumo de sal pode reduzir doenças cardiovasculares tanto quanto parar de fumar, combater a obesidade e controlar o colesterol. O problema é que a tabela nutricional das embalagens não informa a quantidade de sal e sim a de sódio - um dos componentes do sal de cozinha e o verdadeiro causador da pressão alta.
Para aumentar a confusão, o sódio não está apenas em alimentos salgados, mas também em conservantes (nitrito de sódio e nitrato de sódio), adoçantes (ciclamato de sódio e sacarina sódica), fermentos (bicarbonato de sódio) e realçadores de sabor (glutamato monossódico).
"Isoladamente, o sódio não tem sabor, mas apenas 24% dos entrevistados sabiam disso", diz a nutricionista Cristiane Kovacs, uma das autoras do estudo. "Costuma-se recomendar a redução no consumo de sal porque ele é a principal fonte de sódio da alimentação, mas não é a única."
O cardiologista Daniel Magnoni, coordenador da pesquisa, explica que é preciso multiplicar o valor de sódio no rótulo por 2,5 para saber o quanto aquilo corresponde em gramas de sal. Um alimento com 500 mg de sódio representa 1,25 g de sal (mais informações nesta página).
"Estou elaborando uma proposta governamental para alterar a informação dos rótulos para que contenham a quantidade de sal", diz Magnoni. Mas, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, não seria possível fazer essa alteração porque muitos alimentos - como o leite - contêm naturalmente sódio, mas não sal. "Declarar a quantidade de sal em um alimento que não teve adição desse ingrediente seria enganar o consumidor", afirmou a agência em nota.
Orientação. Os pacientes não estão sendo adequadamente orientados, admite Magnoni. "O médico não tem tempo de falar sobre alimentação no hospital público. Ele atende a muitos pacientes e tem de falar de cura, de remédios. A porta de entrada do sistema de saúde tem de ter um nutricionista."
Outra saída para reduzir não apenas os índices de hipertensão, mas também de diabete e obesidade, seria incluir no currículo escolar informações sobre alimentação saudável. "Isso é um problema de saúde pública, custa bilhões ao sistema de saúde. Se eu fosse assessor do próximo presidente, criaria o programa Obesidade Zero."
Levantamento recente do Ministério da Saúde apontou que a hipertensão atinge um em cada quatro brasileiros. O número de casos cresceu 13,4% nos últimos três anos, passando de 21,5% para 24,4%. Entre as pessoas com mais de 65 anos a prevalência é de 63,2%. A pressão alta é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, o que explica porque a cada ano 315 mil brasileiros morrem de enfarte ou acidente vascular cerebral (AVC). Isso corresponde a quase 30% das mortes.
E mesmo os hipertensos que sabem da doença e têm acompanhamento médico há mais de cinco anos abusam do sal. "Em vez de reduzirem o consumo, vão aumentando a quantidade de medicamentos", conta Magnoni. Quase 30% dos entrevistados afirmaram tomar dois ou até três medicamentos para a pressão. Os pesquisadores apontam como principais vilões da alimentação desses pacientes os temperos prontos, enlatados, conservas, queijos e embutidos.
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