Segundo médicos, terapia hormonal está cada vez mais popular entre homens de 30 a 69 anos, muitos deles executivos de Wall Street.
Executivos e profissionais nos Estados Unidos vêm procurando um polêmico e caro tratamento de reposição hormonal para combater efeitos normalmente associados ao estresse e ao envelhecimento.
Com pouco mais de 30 anos, o executivo americano J.G. começou a se sentir deprimido e ansioso. Tinha dificuldades para dormir, sua libido já não era mais a mesma e, por mais que se esforçasse na academia e cuidasse da alimentação, não conseguia atingir os resultados que queria.
'O trabalho também ia mal. Ter que lidar com o estresse, e a competição ampliava os sintomas, quando não era combustível para eles', conta o executivo, que pediu para não ter seu nome divulgado.
'Isso acabava com o desejo e ambição de ser bem sucedido', disse.
Jeffry Life, 'garoto-propaganda' da empresa de reposição hormonal Cenegenics. Companhia diz que fotos não são montagem (Foto: BBC)
Depois de tentar tratamentos com antidepressivos e ansiolíticos, J.G. aceitou o conselho de um colega de academia e começou a fazer reposição hormonal por conta própria.
Mesmo sem consultar um médico, experimentou tomar uma pequena dose de testosterona, um hormônio secretado pelos testículos do homem e em menor quantidade pelos ovários da mulher. Sua concentração no corpo masculino diminui com a idade e devido a problemas de saúde.
'Tomei minha primeira dose e, uau, pareceu que tudo deu uma volta de 180 graus', disse o executivo à BBC Brasil.
Desconfiado de que poderia estar sofrendo com os sintomas do declínio de testosterona em seu corpo, procurou um médico. Após alguns exames, ele receitou uma terapia de reposição hormonal.
Atualmente com 40 anos, J.G. segue com o tratamento. Duas vezes por semana, injeta em si mesmo pequenas doses de testosterona e garante que sua vida melhorou em vários aspectos.
'Pergunte à minha namorada modelo de 27 anos', brinca o executivo, que dirige uma consultoria de administração de capital de risco em Nova York.
Apesar dos elogios ao tratamento, alguns médicos têm dúvidas quanto à eficácia e eventuais danos colaterais do uso de hormônios, que poderiam incluir câncer e problemas no coração.
Hormônios
A deficiência de testosterona entre homens pode estar ligada a problemas congênitos, doenças, estresse e efeitos colaterais de certos medicamentos.
Além disso, a partir dos 30 anos de idade, inicia-se um declínio gradual da produção do hormônio no organismo.
A maior parte da testosterona utilizada em terapias de reposição hormonal é produzida em laboratório a partir de vegetais como soja e inhame.
Embora o tratamento mais comum para a deficiência de testosterona causada por problemas de saúde seja a reposição hormonal, não há estudos conclusivos sobre a eficácia da injeção do hormônio no combate a sintomas normalmente associados à idade.
Mesmo assim, um grande número de médicos defende os benefícios do tratamento no combate ao envelhecimento. Eles vêm oferecendo terapias de reposição hormonal a pacientes que se queixam de fadiga, de dificuldades para perder peso, de concentração e de redução da libido.
Entre eles está Lionel Bissoon, que ficou conhecido por desenvolver um tratamento para celulite e atualmente administra um programa de reposição hormonal para homens e mulheres em sua clínica em Nova York.
Segundo ele, até meados da década passada, a maior parte de seus pacientes era formada por mulheres entre 45 e 69 anos. Mas a situação se inverteu. Atualmente, cerca de 85% é de homens entre 30 e 69 anos, muitos deles executivos de Wall Street.
'As maiores queixas dos homens são fadiga, cansaço e dificuldades de concentração. Alguns reclamam de dores musculares. Muitos não têm interesse em sexo. Alguns sentem que não são mais quem costumavam ser', disse Bissoon à BBC Brasil.
O médico conta que, após uma bateria de exames, o paciente pode iniciar o tratamento. A reposição hormonal pode ser feita por meio de injeções, adesivos ou via oral. O próprio paciente aplica suas doses de testosterona.
'Eu ensino meus pacientes a se aplicarem, é bem fácil. Não é possível para um executivo ocupado ter que ir a um consultório para tomar uma injeção duas ou três vezes ao mês, não é prático', diz.
Custos
O grande interesse dos homens por tratamentos de reposição hormonal não se restringe a Nova York.
Na filial que serve os Estados americanos da Carolina do Sul e da Carolina do Norte da rede de clínicas Cenegenics, por exemplo, 68% dos pacientes são homens entre 35 e 70 anos.
'Está se tornando mais comum homens mais jovens, com pouco mais de 30 anos (procurarem o tratamento)', diz Michale Barber, médica e diretora-executiva da Cenegenics Carolinas.
Embora a aplicação dos hormônios possa ser feita pelo próprio paciente, é necessário que ele passe por um acompanhamento periódico por médicos e seja submetido a exames regularmente, o que pode aumentar os custos do tratamento.
Para realizar um tratamento hormonal de combate aos efeitos do envelhecimento na Cenegenics, é preciso desembolsar em média US$ 1 mil por mês.
'Os nossos pacientes estão pagando pelo acesso a médicos, fisiologistas, nutricionistas e acompanhamento de laboratório', diz Barber.
Com 20 centros médicos espalhados pelos Estados Unidos e mais de 20 mil pacientes, a Cenegenics usa como garoto-propaganda o médico Jeffry Life, que atua na empresa e é paciente do programa de combate aos efeitos do envelhecimento.
Para mostrar os resultados do tratamento, a empresa usa fotos e vídeos ao estilo 'antes e depois' de Life. Na primeira foto, o médico aparece com um corpo comum para um homem de meia-idade. A outra é uma dessas imagens que à primeira vista parecem montagens (a empresa garante que não é) e mostra a mesma pessoa com um corpo de fisiculturista.
Câncer
Apesar dos efeitos aparentemente milagrosos, ainda restam dúvidas sobre a segurança dos tratamentos de reposição hormonal para combater os efeitos do envelhecimento em homens saudáveis.
Embora os médicos adeptos da terapia garantam que ela é segura e pode prevenir doenças, outros apontam que ela pode estimular o desenvolvimento de câncer de próstata e causar problemas cardíacos.
Além disso, pesquisas apontam entre os possíveis efeitos colaterais do tratamento atrofia dos testículos e infertilidade, problemas hepáticos, retenção de líquidos, acne e reações de pele, ginecomastia (crescimento anormal das mamas em homens) e apneia do sono.
Embora tratamentos do tipo estejam sendo utilizados nos EUA desde a década de 1990, há poucos estudos amplos sobre seus efeitos e riscos.
Em 2009, o National Institute of Health dos Estados Unidos deu início a um amplo estudo sobre os efeitos do tratamento de reposição de testosterona em homens acima de 65 anos. Os primeiros resultados, no entanto, devem ser divulgados só em junho de 2015.
Enquanto isso, um relatório publicado em 2004 pelo Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, órgão de consultoria do governo americano, alerta para a falta de pesquisas conclusivas sobre o tema.
'Apesar da crescente popularidade do tratamento com testosterona, não há uma quantidade considerável de dados que sugiram a eficácia da terapia de testosterona em homens mais velhos que não se encaixam na definição clínica de hipogonadismo. Além disso, os efeitos da testosterona na próstata e suas implicações para o câncer inspiram cuidados no uso não terapêutico extensivo', diz o documento.
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18 de maio de 2012
13 de maio de 2012
Depressão pode acelerar processo de envelhecimento.
Assim como o stress, a depressão foi relacionada com um encurtamento dos telômeros, marcador biológico do envelhecimento.
Um estudo que acaba de ser publicado no periódico Biological Psychiatry afirma que o stress e a depressão podem ter uma relação direta no processo de envelhecimento. De acordo com a pesquisa, as duas condições têm uma característica em comum: um encurtamento precoce dos telômeros, que é o indicador cromossômico do envelhecimento do organismo. Isso significa que, assim como pessoas estressadas tendem a envelhecer mais rapidamente, aquelas que têm depressão correm o mesmo risco.
O stress tem inúmeros efeitos danosos no corpo humano. Parte desses efeitos podem ser sentidos, como dores no estômago ou perda de cabelos. Muitos, no entanto, são invisíveis, como o encurtamento dos telômeros. Estudos recentes ja vinham relacionando o stress e a depressão a um encurtamento prematuro dos telômeros.
A resposta humana ao stress é regulada pelo eixo hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA). Esse eixo controla os níveis de cortisol no corpo — alterações nas taxas do hormônio podem indicar situações de stress. O eixo HPA tende a não funcionar normalmente em pessoas com depressão e/ou doenças relacionadas ao stress.
Pesquisa — No estudo, os cientistas mediram o comprimento dos telômeros em pacientes com transtorno depressivo maior (depressão) e também em pessoas saudáveis. Foram medidos ainda os níveis de stress, tanto biologicamente, pelo cortisol, quanto subjetivamente, pelo uso de questionários. Descobriu-se, então, que o comprimento dos telômeros eram menores em pacientes com depressão – o que confirmava as hipóteses anteriores.
De acordo com Mikael Wikgren, coordenador do estudo, a descoberta sugere que o stress tem um papel importante na depressão. "O comprimento dos telômeros era especialmente mais curto em pacientes com sensibilidade demais no eixo HPA. Essa resposta ao HPA foi relacionada ao stress crônico e à baixa habilidade em lidar com o stress", diz.
Para John Krystal, editor do Biological Psychiatry, a relação entre o stress e o encurtamento dos telômeros vem crescendo consideravelmente. "As descobertas atuais sugerem que os níveis de cortisol podem contribuir para o processo, mas não é claro ainda se o comprimento dos telômeros tem um significado além de biomarcador", diz.
TELÔMEROS
São as 'tampas' das extremidades do cromossomo, uma forma de proteção similar à presente nas pontas de um cadarço de tênis. Sempre que um cromossomo é replicado para a divisão celular, os telômeros encurtam. Esse encurtamento tem sido visto por diversos cientistas como um marcador biológico do envelhecimento, o relógio que marca a duração da vida de uma pessoa e sua condição de saúde.
Leia também: Teste de sangue vai prever quantos anos restam a uma pessoa
Um estudo que acaba de ser publicado no periódico Biological Psychiatry afirma que o stress e a depressão podem ter uma relação direta no processo de envelhecimento. De acordo com a pesquisa, as duas condições têm uma característica em comum: um encurtamento precoce dos telômeros, que é o indicador cromossômico do envelhecimento do organismo. Isso significa que, assim como pessoas estressadas tendem a envelhecer mais rapidamente, aquelas que têm depressão correm o mesmo risco.
O stress tem inúmeros efeitos danosos no corpo humano. Parte desses efeitos podem ser sentidos, como dores no estômago ou perda de cabelos. Muitos, no entanto, são invisíveis, como o encurtamento dos telômeros. Estudos recentes ja vinham relacionando o stress e a depressão a um encurtamento prematuro dos telômeros.
A resposta humana ao stress é regulada pelo eixo hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA). Esse eixo controla os níveis de cortisol no corpo — alterações nas taxas do hormônio podem indicar situações de stress. O eixo HPA tende a não funcionar normalmente em pessoas com depressão e/ou doenças relacionadas ao stress.
Pesquisa — No estudo, os cientistas mediram o comprimento dos telômeros em pacientes com transtorno depressivo maior (depressão) e também em pessoas saudáveis. Foram medidos ainda os níveis de stress, tanto biologicamente, pelo cortisol, quanto subjetivamente, pelo uso de questionários. Descobriu-se, então, que o comprimento dos telômeros eram menores em pacientes com depressão – o que confirmava as hipóteses anteriores.
De acordo com Mikael Wikgren, coordenador do estudo, a descoberta sugere que o stress tem um papel importante na depressão. "O comprimento dos telômeros era especialmente mais curto em pacientes com sensibilidade demais no eixo HPA. Essa resposta ao HPA foi relacionada ao stress crônico e à baixa habilidade em lidar com o stress", diz.
Para John Krystal, editor do Biological Psychiatry, a relação entre o stress e o encurtamento dos telômeros vem crescendo consideravelmente. "As descobertas atuais sugerem que os níveis de cortisol podem contribuir para o processo, mas não é claro ainda se o comprimento dos telômeros tem um significado além de biomarcador", diz.
TELÔMEROS
São as 'tampas' das extremidades do cromossomo, uma forma de proteção similar à presente nas pontas de um cadarço de tênis. Sempre que um cromossomo é replicado para a divisão celular, os telômeros encurtam. Esse encurtamento tem sido visto por diversos cientistas como um marcador biológico do envelhecimento, o relógio que marca a duração da vida de uma pessoa e sua condição de saúde.
Leia também: Teste de sangue vai prever quantos anos restam a uma pessoa
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30 de abril de 2012
Cientistas preveem a cura do envelhecimento.
LONDRES (Reuters) - Se as previsões de Aubrey de Grey estiverem certas, a primeira pessoa a comemorar seu aniversário de 150 anos já nasceu. E a primeira pessoa a viver até os mil anos pode demorar menos de 20 anos para nascer.
Biomédico gerontologista e cientista-chefe de uma fundação dedicada a pesquisas da longevidade, De Grey calcula que, ainda durante a sua vida, os médicos poderão ter à mão todas as ferramentas necessárias para "curar" o envelhecimento - extirpando as doenças decorrentes da idade e prolongando a vida indefinidamente.
"Eu diria que temos uma chance de 50 por cento de colocar o envelhecimento sob aquilo que eu chamaria de nível decisivo de controle médico dentro de mais ou menos 25 anos", disse De Grey numa entrevista antes de proferir uma palestra no Britain's Royal Institution, uma academia britânica de ciências.
"E por 'decisivo' quero dizer o mesmo tipo de controle médico que temos sobre a maioria das doenças infecciosas hoje", acrescentou.
De Grey antevê uma época em que as pessoas irão ao médico para uma "manutenção" regular, o que incluiria terapias genéticas, terapias com células-tronco, estimulação imunológica e várias outras técnicas avançadas.
Ele descreve o envelhecimento como o acúmulo de vários danos moleculares e celulares no organismo. "A ideia é adotar o que se poderia chamar de geriatria preventiva, em que você vai regularmente reparar o danos molecular e celular antes que ele chegue ao nível de abundância que é patogênico", explicou o cientista, cofundador da Fundação Sens (sigla de "Estratégias para a Senilitude Programada Desprezível"), com sede na Califórnia.
Não se sabe exatamente como a expectativa de vida vai se comportar no futuro, mas a tendência é clara. Atualmente, ela cresce aproximadamente três meses por ano, e especialistas preveem que haverá um milhão de pessoas centenárias no mundo até 2030.
Só no Japão já há mais de 44 mil centenários, e a pessoa mais longeva já registrada no mundo foi até os 122 anos.
Mas alguns pesquisadores argumentam que a epidemia de obesidade, espalhando-se agora dos países desenvolvidos para o mundo em desenvolvimento, poderá afetar a tendência de longevidade.
As ideias de De Grey podem parecer ambiciosas demais, mas em 2005 o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) ofereceu um prêmio de 20 mil dólares para qualquer biólogo molecular que provasse que as teorias da Fundação Sens são "tão erradas que nem são dignas de um debate bem informado". Ninguém levou a bolada.
O prêmio foi instituído depois que um grupo de nove cientistas influentes atacou as teorias de Grey, qualificando-as de "pseudociência". Os jurados concluíram que o rótulo não era justo, e argumentaram que o Sens "existe em um meio termo de ideias ainda não testadas que algumas pessoas podem considerar intrigantes, mas das quais outras estão livres para duvidar."
Biomédico gerontologista e cientista-chefe de uma fundação dedicada a pesquisas da longevidade, De Grey calcula que, ainda durante a sua vida, os médicos poderão ter à mão todas as ferramentas necessárias para "curar" o envelhecimento - extirpando as doenças decorrentes da idade e prolongando a vida indefinidamente.
"Eu diria que temos uma chance de 50 por cento de colocar o envelhecimento sob aquilo que eu chamaria de nível decisivo de controle médico dentro de mais ou menos 25 anos", disse De Grey numa entrevista antes de proferir uma palestra no Britain's Royal Institution, uma academia britânica de ciências.
"E por 'decisivo' quero dizer o mesmo tipo de controle médico que temos sobre a maioria das doenças infecciosas hoje", acrescentou.
De Grey antevê uma época em que as pessoas irão ao médico para uma "manutenção" regular, o que incluiria terapias genéticas, terapias com células-tronco, estimulação imunológica e várias outras técnicas avançadas.
Ele descreve o envelhecimento como o acúmulo de vários danos moleculares e celulares no organismo. "A ideia é adotar o que se poderia chamar de geriatria preventiva, em que você vai regularmente reparar o danos molecular e celular antes que ele chegue ao nível de abundância que é patogênico", explicou o cientista, cofundador da Fundação Sens (sigla de "Estratégias para a Senilitude Programada Desprezível"), com sede na Califórnia.
Não se sabe exatamente como a expectativa de vida vai se comportar no futuro, mas a tendência é clara. Atualmente, ela cresce aproximadamente três meses por ano, e especialistas preveem que haverá um milhão de pessoas centenárias no mundo até 2030.
Só no Japão já há mais de 44 mil centenários, e a pessoa mais longeva já registrada no mundo foi até os 122 anos.
Mas alguns pesquisadores argumentam que a epidemia de obesidade, espalhando-se agora dos países desenvolvidos para o mundo em desenvolvimento, poderá afetar a tendência de longevidade.
As ideias de De Grey podem parecer ambiciosas demais, mas em 2005 o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) ofereceu um prêmio de 20 mil dólares para qualquer biólogo molecular que provasse que as teorias da Fundação Sens são "tão erradas que nem são dignas de um debate bem informado". Ninguém levou a bolada.
O prêmio foi instituído depois que um grupo de nove cientistas influentes atacou as teorias de Grey, qualificando-as de "pseudociência". Os jurados concluíram que o rótulo não era justo, e argumentaram que o Sens "existe em um meio termo de ideias ainda não testadas que algumas pessoas podem considerar intrigantes, mas das quais outras estão livres para duvidar."
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6 de fevereiro de 2011
Cientistas decifram mistérios do envelhecimento e testam terapias que aliam qualidade de vida à longevidade.
Publicada em 05/02/2011 às 18h15m
Antônio Marinho e Jaqueline Falcão
RIO - Em sua nova aventura, o pirata Jack Sparrow (Johnny Depp) vai em busca da fonte da juventude, ao lado de uma mulher de seu passado (Penélope Cruz). Diz a lenda que as suas águas rejuvenescem e até imortalizam. Até hoje a bendita fonte está apenas na imaginação de escritores e diretores de cinema. Quem acredita, diz que ela existe em algum lugar do Ártico e ou em alguma ilha desconhecida no oceano. Para cientistas, a fonte está perto de ser alcançada e não seria uma só, mas várias. Afirmam isso com base em novas descobertas para retardar o envelhecimento e experimentos que incluem aumento de sobrevida das células, restrição de calorias e uso de células-tronco.
Um dos caminhos que leva à fonte, apostam cientistas, é o controle da telomerase, a enzima que a cada ciclo de divisão celular repara os danos nas extremidades (telômeros) dos cromossomos; essenciais para transmitir nossa informação genética. O problema é que depois da infância a telomerase vai perdendo a sua função e os cromossomos vão encurtando cada vez mais, o que está diretamente relacionado ao envelhecimento e à morte, explica o pesquisador Lício Velloso, do departamento de Clínica Médica da Unicamp.
Tanto que numa das experiências mais interessantes - publicada na revista "Nature"- cientistas do Instituto de Câncer Dana-Farber, nos Estados Unidos, forneceram telomerase a roedores modificados para não produzirem a enzima. Com o tratamento, o envelhecimento desacelerou. Mais que isso: o cérebro deles aumentou e apresentaram melhora da capacidade cognitiva. A pele ficou viçosa e a fertilidade foi restaurada.
Exercícios teriam mesmo efeito
Seria perfeito, porém sabe-se que a atividade acelerada da telomerase é ruim. Uma de suas consequências é o câncer.
- Ainda não temos dados que garantam que bloquear a telomerase em humanos resultaria em aumento de longevidade ou aumento do risco de câncer - diz Lício.
O geriatra Luiz Eugênio Garcez Leme, professor da USP, estuda telômeros em atletas sêniores para saber se eles têm alteração nessa estrutura. A prática de atividade física, por exemplo, faz bem aos telômeros. Estudos indicam que os indivíduos que se exercitam têm essas estruturas maiores do que os sedentários. Por enquanto, ele mantém cautela quanto ao possível uso da telomerase.
- Pode ser o caminho, mas nem tudo que funciona em animais se aplica a humanos - avalia.
Radovan Borojevic, professor titular da UFRJ e presidente da Associação Técnico-Científica Paul Ehrlich, duvida que interferir na telomerase seja factível. Certos tecidos se renovam lentamente, como o nervoso e o músculo cardíaco, e outros rapidamente, como o epitélio intestinal, a cada 24 horas:
- As células devem morrer para permitir a sua substituição pelas novas. Todas as células cancerosas têm a capacidade de manter o comprimento dos telômeros intacto e são imortais e danosas.
A possível aplicação da telomerase é só um caminho. Outro é o uso de proteínas chamadas sirtuínas, presentes nas células. Em humanos foram identificadas sete e elas parecem ter papel importante na longevidade. Em um estudo na revista "Cell Metabolism", os autores dizem que uma droga experimental (a SRT1720) ativou a sirtuína 1 em camundongos. Resultado: eles queimaram mais energia e houve queda de insulina e glicose.
As sirtuínas estão tão em evidência que já existem clínicas de estética oferecendo cremes e substâncias à base do composto.
- Não há nada de concreto. É apenas mais uma forma de ganhar dinheiro com expectativas futuras, sem qualquer embasamento científico - alerta o pesquisador Carlos Montes Paixão Júnior, da UFRJ e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (RJ).
O que se sabe é que na natureza há substâncias que ativam a sirtuína, como o resveratrol, encontrado no vinho. Porém seria preciso beber muito para se obter o efeito. Diversos laboratórios tentam obter o resveratrol concentrado.
Ainda no mapa para a fonte da juventude, um atalho é a restrição calórica, orientada e sem excessos. Numa revisão sobre o tema, na revista "Science", especialistas dizem que comer menos influencia funções associadas ao envelhecimento em animais e humanos. Por exemplo, a restrição reduz o acúmulo de mutações no DNA. Na análise, os autores viram que o corte de até 50% da ingestão de calorias diária interferiu na morte celular, e os animais tiveram menos doenças relacionadas à idade, como câncer, infarto e demências.
Células-tronco: uso ainda é polêmico
E, além de comer menos, é preciso ingerir mais alimentos ricos em antioxidantes que atacam o excesso de moléculas de radicais livres, aquelas que, de forma descontrolada, oxidam o corpo, diz o endocrinologista Wilmar Accursio, presidente da Sociedade Brasileira para Estudo do Envelhecimento. Nessa lista estão verduras, legumes, frutas e cereais. Já suplementação com vitaminas e minerais só com receita. Isso porque o abuso de vitaminas, como a C, é prejudicial:
- Como temos grande quantidade de ferro, o excesso de vitamina C transforma-se num pró-oxidante, na produção do pior radical livre.
Por falar em comer, Lício lembra que o hormônio insulina pode ter efeito antienvelhecimento. Estudos com um pequeno verme de laboratório, o C. elegans, revelaram que se a ação da insulina for reduzida (não abolida) o animal entra num estado de "vida em suspensão"; seu crescimento é mais lento e a sua reprodução inibida. É como se ele estivesse hibernando.
- Dessa forma sua vida pode ser prolongada em até 60% do tempo. Testes em roedores mostraram um aumento de longevidade, mas apenas em 20%. Ao que tudo indica, quanto mais complexo o organismo menos expressivo o aumento da longevidade - explica.
Antônio Marinho e Jaqueline Falcão
RIO - Em sua nova aventura, o pirata Jack Sparrow (Johnny Depp) vai em busca da fonte da juventude, ao lado de uma mulher de seu passado (Penélope Cruz). Diz a lenda que as suas águas rejuvenescem e até imortalizam. Até hoje a bendita fonte está apenas na imaginação de escritores e diretores de cinema. Quem acredita, diz que ela existe em algum lugar do Ártico e ou em alguma ilha desconhecida no oceano. Para cientistas, a fonte está perto de ser alcançada e não seria uma só, mas várias. Afirmam isso com base em novas descobertas para retardar o envelhecimento e experimentos que incluem aumento de sobrevida das células, restrição de calorias e uso de células-tronco.
Um dos caminhos que leva à fonte, apostam cientistas, é o controle da telomerase, a enzima que a cada ciclo de divisão celular repara os danos nas extremidades (telômeros) dos cromossomos; essenciais para transmitir nossa informação genética. O problema é que depois da infância a telomerase vai perdendo a sua função e os cromossomos vão encurtando cada vez mais, o que está diretamente relacionado ao envelhecimento e à morte, explica o pesquisador Lício Velloso, do departamento de Clínica Médica da Unicamp.
Tanto que numa das experiências mais interessantes - publicada na revista "Nature"- cientistas do Instituto de Câncer Dana-Farber, nos Estados Unidos, forneceram telomerase a roedores modificados para não produzirem a enzima. Com o tratamento, o envelhecimento desacelerou. Mais que isso: o cérebro deles aumentou e apresentaram melhora da capacidade cognitiva. A pele ficou viçosa e a fertilidade foi restaurada.
Exercícios teriam mesmo efeito
Seria perfeito, porém sabe-se que a atividade acelerada da telomerase é ruim. Uma de suas consequências é o câncer.
- Ainda não temos dados que garantam que bloquear a telomerase em humanos resultaria em aumento de longevidade ou aumento do risco de câncer - diz Lício.
O geriatra Luiz Eugênio Garcez Leme, professor da USP, estuda telômeros em atletas sêniores para saber se eles têm alteração nessa estrutura. A prática de atividade física, por exemplo, faz bem aos telômeros. Estudos indicam que os indivíduos que se exercitam têm essas estruturas maiores do que os sedentários. Por enquanto, ele mantém cautela quanto ao possível uso da telomerase.
- Pode ser o caminho, mas nem tudo que funciona em animais se aplica a humanos - avalia.
Radovan Borojevic, professor titular da UFRJ e presidente da Associação Técnico-Científica Paul Ehrlich, duvida que interferir na telomerase seja factível. Certos tecidos se renovam lentamente, como o nervoso e o músculo cardíaco, e outros rapidamente, como o epitélio intestinal, a cada 24 horas:
- As células devem morrer para permitir a sua substituição pelas novas. Todas as células cancerosas têm a capacidade de manter o comprimento dos telômeros intacto e são imortais e danosas.
A possível aplicação da telomerase é só um caminho. Outro é o uso de proteínas chamadas sirtuínas, presentes nas células. Em humanos foram identificadas sete e elas parecem ter papel importante na longevidade. Em um estudo na revista "Cell Metabolism", os autores dizem que uma droga experimental (a SRT1720) ativou a sirtuína 1 em camundongos. Resultado: eles queimaram mais energia e houve queda de insulina e glicose.
As sirtuínas estão tão em evidência que já existem clínicas de estética oferecendo cremes e substâncias à base do composto.
- Não há nada de concreto. É apenas mais uma forma de ganhar dinheiro com expectativas futuras, sem qualquer embasamento científico - alerta o pesquisador Carlos Montes Paixão Júnior, da UFRJ e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (RJ).
O que se sabe é que na natureza há substâncias que ativam a sirtuína, como o resveratrol, encontrado no vinho. Porém seria preciso beber muito para se obter o efeito. Diversos laboratórios tentam obter o resveratrol concentrado.
Ainda no mapa para a fonte da juventude, um atalho é a restrição calórica, orientada e sem excessos. Numa revisão sobre o tema, na revista "Science", especialistas dizem que comer menos influencia funções associadas ao envelhecimento em animais e humanos. Por exemplo, a restrição reduz o acúmulo de mutações no DNA. Na análise, os autores viram que o corte de até 50% da ingestão de calorias diária interferiu na morte celular, e os animais tiveram menos doenças relacionadas à idade, como câncer, infarto e demências.
Células-tronco: uso ainda é polêmico
E, além de comer menos, é preciso ingerir mais alimentos ricos em antioxidantes que atacam o excesso de moléculas de radicais livres, aquelas que, de forma descontrolada, oxidam o corpo, diz o endocrinologista Wilmar Accursio, presidente da Sociedade Brasileira para Estudo do Envelhecimento. Nessa lista estão verduras, legumes, frutas e cereais. Já suplementação com vitaminas e minerais só com receita. Isso porque o abuso de vitaminas, como a C, é prejudicial:
- Como temos grande quantidade de ferro, o excesso de vitamina C transforma-se num pró-oxidante, na produção do pior radical livre.
Por falar em comer, Lício lembra que o hormônio insulina pode ter efeito antienvelhecimento. Estudos com um pequeno verme de laboratório, o C. elegans, revelaram que se a ação da insulina for reduzida (não abolida) o animal entra num estado de "vida em suspensão"; seu crescimento é mais lento e a sua reprodução inibida. É como se ele estivesse hibernando.
- Dessa forma sua vida pode ser prolongada em até 60% do tempo. Testes em roedores mostraram um aumento de longevidade, mas apenas em 20%. Ao que tudo indica, quanto mais complexo o organismo menos expressivo o aumento da longevidade - explica.
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13 de junho de 2010
Especialista em terceira idade, Alexandre Kalache defende envelhecimento ativo
Publicada em 28/07/2008 às 15h05m
Antônio Marinho - O Globo
RIO - Em menos de 20 anos, o Brasil terá 18 milhões de idosos. Em 2025 serão 32 milhões. Apesar de a expectativa de vida ter aumentado, ainda há muito a fazer. Responsável durante 12 anos por programas de envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS), o doutor em saúde pública Alexandre Kalache, fundador do Departamento de Epidemiologia do Envelhecimento da London School of Hygiene and Tropical Medicine e consultor sênior da Academia de Medicina de Nova York, diz o que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida na terceira idade. Ele está no Brasil para participar do 13º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) e defende o investimento em atenção primária e em práticas que levem ao que chama de "envelhecimento ativo".
O brasileiro está envelhecendo com melhor qualidade de vida?
KALACHE - Se compararmos com o envelhecimento do meu avô a diferença é enorme. Primeiro porque a expectativa de vida é mais alta. Quando nasci em 1945, em Copacabana, a esperança de vida de um brasileiro era de 43 anos. Hoje é de 73 anos, quase 74 anos. Só no meu tempo de vida ganhamos 30 anos. Isso é um recorde. Poucos países conseguiram este salto num período tão curto. Eu nasci numa maternidade (a Arnaldo de Moraes) que não existe mais. O mesmo prédio se tornou virtualmente um hospital geriátrico. Copacabana é um exemplo excelente do que está acontecendo e acontecerá no país. Hoje temos mais idosos proporcionalmente neste bairro do que na Suécia e no Japão. Isso tem muito a ver com a urbanização do bairro. Por um lado, os idosos que têm acesso ou dinheiro hoje contam com facilidades que antes não sonhavam, como serviços de saúde e avanços tecnológicos que no meu tempo de estudante de medicina, no final da década de 60, eram ficção científica, mesmo um marcapasso ou a cirurgia aberta de coração, ou um tratamento catarata. E ainda as drogas para controlar diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares; a evolução do tratamento de câncer. Tudo isso melhorou a qualidade de vida. Idosos que antes seriam incapacitados, hoje convivem com problemas crônicos. Porém, o envelhecimento no Brasil ainda é um reflexo do que acontece no país. Há muita desigualdade. Por exemplo, decidir fazer dieta saudável não depende apenas de acesso à informação, mas também de poder aquisitivo. Mesmo em Copacabana isso fica evidente. De um lado idosos em comunidades carentes e do outro idosos de classe média. O primeiro grupo está envelhecendo pior, sem acesso ao sistema de saúde e sem vida social.
O Brasil envelheceu antes de enriquecer. Até que ponto isso foi ruim?
KALACHE - Um aspecto positivo é a aposentadoria não contributiva, de grande interesse internacional, que está tirando da miséria mais de oito milhões de beneficiários e cerca de quatro vezes esse número quando somamos seus familiares. São mais de dois mil municípios que têm hoje suas economias gravitando em torno dessas pensões. E esta política é viável e economicamente possível e difundida. São pessoas que trabalharam a vida toda e não contribuíram para o seguro social, como donas de casa, trabalhadores rurais etc. Pela primeira vez contam com uma renda regular todo mês. Se o Brasil não tivesse nos anos mais recentes experimentado um desenvolvimento econômico, isso talvez ficasse insustentável. E isso pesa muito menos para a economia do que a pensão de funcionários públicos que geralmente se aposentam cedo e com valores mais altos.
Os profissionais de saúde estão preparados para lidar com a terceira idade?
KALACHE - São absolutamente despreparados para lidar com idosos. Não vamos conseguir oferecer serviço geriátrico para 18 milhões de idosos. Primeiro, não é a resposta, não queremos tornar o envelhecimento um problema médico. Mas precisamos treinar todos os profissionais de saúde para lidar melhor com essa população. Geralmente eles sabem tudo de criança, de gestante, mas não sabem nada sobre terceira idade. E é a maioria de seus pacientes. Eles saem das faculdades sem adquirir conhecimentos para lidar com os idosos. A grande resposta para o envelhecimento é a atenção primária na saúde, para evitar a hospitalização e a institucionalização, opções muito mais caras. É preciso atender nossos idosos onde eles vivem, com seu problemas. Trabalhamos com a Associação Internacional de Gerontologia e definimos os 15 pontos capitais para o currículo mínimo do médico. O que ele deve aprender hoje para responder ao envelhecimento. Em 2025, serão 32 milhões com mais de 60 anos no Brasil, em 2050, serão 70 milhões. O acidente vascular cerebral ou derrame é um desgraça no Brasil, que tem um dos maiores índices do mundo. E que poderia ser prevenido como medidas simples como redução do sal na dieta e prática de atividade física. Mas, por exemplo, o idoso que mora em comunidades mais carentes não tem uma calçada para caminhar. Por outro lado, quando a doença já ocorreu, ele precisa de um lugar adequado para se tratar. E depois do tratamento vai precisar de fisioterapia, acompanhamento. Muitas vezes se torna incapaz e ainda terá de viver 15 anos a 20 anos com esse problema, com má qualidade de vida. Todos os profissionais de saúde deveriam estar mais familiarizados com anatomia, fisiologia, farmacologia, sinais e sintomas de doença na terceira idade. Um infarto em pessoa mais jovem causa dor. Já num idoso isso nem sempre ocorre. Outra doença comum é a depressão, que muitas vezes é confundida com mal de Alzheimer e não é tratada.
O Brasil tem um excelente Estatuto do Idoso no papel, mas na prática ainda não funciona? O que pode ser feito?
KALACHE - Já melhorou muito. Há dez anos, falar de envelhecimento não estava na pauta da mídia. Quando me especializei, na década de 70, eu não conseguia falar com ninguém sobre o assunto. Para melhorar a aplicação do estatuto é preciso sensibilizar as autoridades, os políticos. Eles querem dar prioridade a ações mais imediatas, como inaugurar uma ponte. Os políticos e dirigentes ainda não se deram conta da urgência do tema. Porém, o envelhecimento é um desafio de hoje, temos que andar rapidamente. Por exemplo, estamos tentando criar o Centro Internacional de Envelhecimento no Brasil, mas há mais dificuldades do que havia previsto. O principal objetivo do centro seria estimular políticas sustentáveis para o envelhecimento ativo. É o processo de otimizar as oportunidades de saúde, participação e segurança para que o cidadão tenha melhor qualidade de vida à medida que envelhece. É um processo, é continuo. E essas oportunidades estão ao longo da vida. Na saúde, o que se faz hoje, na infância, na adolescência, terá repercussão importante aos 78 anos. A saúde é a chave para participar ativamente da sociedade. Outra questão é a segurança para viver bem na velhice. A proposta do centro é estimular o debate com profissionaisde todas as áreas, não apenas saúde, mas arquitetos, advogados etc, realizar pesquisas e elaborar políticas públicas que poderão trazer o Brasil para o mesmo grau de evolução de países da Europa e dos Estados Unidos. E ele não será vinculado a uma única instituição. A idéia é fazer parcerias com profissionais que se dedicam à essa área, como a Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati, Uerj), UFRJ e Universidade Cândido Mendes, e no exterior, como The New York Academy of Medicine, para citar alguns exemplos.
O que aconteceu com o programa Sociedade Amiga do Idoso, da Organização Mundial de Saúde (OMS), que teve como piloto o bairro de Copacabana e serve de modelo para outras cidades do mundo?
KALACHE - O programa está lento, mas existem intervenções pontuais. Copacabana serviu como piloto e foi aqui que desenvolvemos a metodologia adotada em 35 cidades para o projeto global cidade amiga do idoso. Isso é realidade e partiu daqui. Depois repetimos a pesquisa entrevistando idosos de Tóquio, Xangai, Londres, Melbourne, Nova York e outras cidades. Analisamos os relatórios e os dados foram usados para produzir um guia, lançado em 1º de outubro de 2007. E teve um grande impacto. Agora são centenas de cidades e nova reunião será realizada em setembro, em Montreal. Apesar de ter nascido em Copacabana, pouco foi feito aqui. O tema transporte é um dos mais importantes para esta população. No Brasil os ônibus brasileiros são feitos em chassi, com degraus altos. Em Nova York o sistema está sendo todo reformulado. Já existem ônibus nos quais o chassi inteiro desce, não apenas um degrau. O que é bom para o idoso é bom para todos. Eu entro mais facilmente com um embrulho, a mulher com bebê, a pessoa com necessidade, o gordo. Uma boa política de envelhecimento é uma boa política de transporte público. O idoso poderá socializar mais. Outra questão: o idoso gosta de caminhar, de andar, mas também precisa descansar, a cada 200 metros a 300 metros. Criar um mobiliário urbano adequado é importante. A construção de toaletes públicos é outra medida simples. Muitos idosos têm urgência urinária, e não saem de casa porque não encontram esse tipo de equipamento. Não é só a questão financeira, é preciso vontade política. Por aqui há poucas iniciativas. Agora o Estado do Rio Grande do Sul começa a tomar algumas iniciativas nesse sentido. Lá, em parceria com o governo, estamos realizando debates, fóruns para discutir e implantar medidas que melhorem a qualidade de vida do idoso. Existem necessidades comuns, mas cada comunidade tem suas diferenças. Na Região Sul ainda existem muitos idosos vivendo em populações agrícolas e isolados. Os filhos saíram de casa, eles vivem sozinhos em muitas vezes em imóveis que estão se deteriorando, sem poder aquisitivo. O governo convocou mutirões convocando idosos mais ativos, recém aposentados, como bombeiros, pedreiros e eletricistas, para reformarem essas casas, a partir de algum incentivo financeiro.
O que é melhor para idoso, ser cuidado em casa ou numa instituição?
KALACHE - Hoje ocorre a feminização do envelhecimento. Na faixa a partir dos 85 anos, dois terços da população é formada por mulheres, geralmente de baixa renda e há muito tempo viúvas. Muitas se casaram com homens mais velhos. A responsabilidade de cuidar de outro idoso geralmente é da mulher. O homem ainda participa pouco. Na faixa de 18 anos a 30 anos, a mulher é principal cuidadora de algum doente dentro de casa e dedica, em média, 18 minutos por dia do seu tempo nessa tarefa. Na faixa de 45 anos a 54 anos, ela gasta 150 minutos. De 65 anos a 74 anos, dedica 210 minutos do seu tempo. De 75 anos a 84 anos o tempo gasto é 310 minutos. Geralmente cuidam dos maridos ou dos próprios pais. Mesmo depois de 85 anos a mulher ainda passa 63 minutos em média cuidando de alguém, mais de três vezes a média das mais jovens. De maneira geral, a pessoa idosa quer envelhecer em casa, não quer ser institucionalizada, por melhor que seja a casa da repouso. É preciso repensar a sociedade para o homem ter participação mais ativa no cuidado, compartilhar mais. E que de alguma forma o poder público ajude para para que as pessoas possam envelhecer em casa. Isso depende também de investimento em atenção primária. Estudo em 2002 na Espanha, mostrou que apenas 12% das pessoas que cuidavam de idosos eram profissionais especializados. No Brasil ainda existe a figura da empregada doméstica, que também atua como cuidadora. Quase 90% eram familiares, amigos, vizinhos. Há estudos similares na Europa e nos Estados Unidos. Não há nenhum país do mundo com mais de 6% de idosos vivendo em instituições. Para a imensa maioria dos idosos, a institucionalização é o começo do fim, a pessoa fica deprimida, está mais sujeita a abusos, perde sua privacidade e sua autonomia para viver de acordo com suas próprias regras e os seus desejos. Mesmo lúcida ela não tem mais autonomia. Terá que seguir regras das instituição, comer na hora determinada, dividir um quarto, usar banheiro coletivo. São raros os lugares bons.
De que forma os avanços em medicina genética estão melhorando a qualidade de vida dos idosos?
KALACHE - Provavelmente, com os avanços científicos, como a medicina genética, as pessoas vão chegar mais facilmente aos 100 anos e com melhor qualidade de vida. Em vez de tratar, a pessoas será curada de doenças crônicas como Parkinson e Alzheimer. Mas para algumas pessoas esse aumento da expectativa de vida será uma perversidade porque continuarão com má qualidade de vida. Por isso estamos buscando intervenções que possam facilitar que a pessoa continue ativa e produtiva. De qualquer forma, envelhecer hoje é muito mais fácil do que há 40 anos a 50 anos. Mas não podemos esperar soluções de fora, temos que desenvolver nossas próprias. É preciso dar mais ênfase em direitos de idosos.
Antônio Marinho - O Globo
RIO - Em menos de 20 anos, o Brasil terá 18 milhões de idosos. Em 2025 serão 32 milhões. Apesar de a expectativa de vida ter aumentado, ainda há muito a fazer. Responsável durante 12 anos por programas de envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS), o doutor em saúde pública Alexandre Kalache, fundador do Departamento de Epidemiologia do Envelhecimento da London School of Hygiene and Tropical Medicine e consultor sênior da Academia de Medicina de Nova York, diz o que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida na terceira idade. Ele está no Brasil para participar do 13º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) e defende o investimento em atenção primária e em práticas que levem ao que chama de "envelhecimento ativo".
O brasileiro está envelhecendo com melhor qualidade de vida?
KALACHE - Se compararmos com o envelhecimento do meu avô a diferença é enorme. Primeiro porque a expectativa de vida é mais alta. Quando nasci em 1945, em Copacabana, a esperança de vida de um brasileiro era de 43 anos. Hoje é de 73 anos, quase 74 anos. Só no meu tempo de vida ganhamos 30 anos. Isso é um recorde. Poucos países conseguiram este salto num período tão curto. Eu nasci numa maternidade (a Arnaldo de Moraes) que não existe mais. O mesmo prédio se tornou virtualmente um hospital geriátrico. Copacabana é um exemplo excelente do que está acontecendo e acontecerá no país. Hoje temos mais idosos proporcionalmente neste bairro do que na Suécia e no Japão. Isso tem muito a ver com a urbanização do bairro. Por um lado, os idosos que têm acesso ou dinheiro hoje contam com facilidades que antes não sonhavam, como serviços de saúde e avanços tecnológicos que no meu tempo de estudante de medicina, no final da década de 60, eram ficção científica, mesmo um marcapasso ou a cirurgia aberta de coração, ou um tratamento catarata. E ainda as drogas para controlar diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares; a evolução do tratamento de câncer. Tudo isso melhorou a qualidade de vida. Idosos que antes seriam incapacitados, hoje convivem com problemas crônicos. Porém, o envelhecimento no Brasil ainda é um reflexo do que acontece no país. Há muita desigualdade. Por exemplo, decidir fazer dieta saudável não depende apenas de acesso à informação, mas também de poder aquisitivo. Mesmo em Copacabana isso fica evidente. De um lado idosos em comunidades carentes e do outro idosos de classe média. O primeiro grupo está envelhecendo pior, sem acesso ao sistema de saúde e sem vida social.
O Brasil envelheceu antes de enriquecer. Até que ponto isso foi ruim?
KALACHE - Um aspecto positivo é a aposentadoria não contributiva, de grande interesse internacional, que está tirando da miséria mais de oito milhões de beneficiários e cerca de quatro vezes esse número quando somamos seus familiares. São mais de dois mil municípios que têm hoje suas economias gravitando em torno dessas pensões. E esta política é viável e economicamente possível e difundida. São pessoas que trabalharam a vida toda e não contribuíram para o seguro social, como donas de casa, trabalhadores rurais etc. Pela primeira vez contam com uma renda regular todo mês. Se o Brasil não tivesse nos anos mais recentes experimentado um desenvolvimento econômico, isso talvez ficasse insustentável. E isso pesa muito menos para a economia do que a pensão de funcionários públicos que geralmente se aposentam cedo e com valores mais altos.
Os profissionais de saúde estão preparados para lidar com a terceira idade?
KALACHE - São absolutamente despreparados para lidar com idosos. Não vamos conseguir oferecer serviço geriátrico para 18 milhões de idosos. Primeiro, não é a resposta, não queremos tornar o envelhecimento um problema médico. Mas precisamos treinar todos os profissionais de saúde para lidar melhor com essa população. Geralmente eles sabem tudo de criança, de gestante, mas não sabem nada sobre terceira idade. E é a maioria de seus pacientes. Eles saem das faculdades sem adquirir conhecimentos para lidar com os idosos. A grande resposta para o envelhecimento é a atenção primária na saúde, para evitar a hospitalização e a institucionalização, opções muito mais caras. É preciso atender nossos idosos onde eles vivem, com seu problemas. Trabalhamos com a Associação Internacional de Gerontologia e definimos os 15 pontos capitais para o currículo mínimo do médico. O que ele deve aprender hoje para responder ao envelhecimento. Em 2025, serão 32 milhões com mais de 60 anos no Brasil, em 2050, serão 70 milhões. O acidente vascular cerebral ou derrame é um desgraça no Brasil, que tem um dos maiores índices do mundo. E que poderia ser prevenido como medidas simples como redução do sal na dieta e prática de atividade física. Mas, por exemplo, o idoso que mora em comunidades mais carentes não tem uma calçada para caminhar. Por outro lado, quando a doença já ocorreu, ele precisa de um lugar adequado para se tratar. E depois do tratamento vai precisar de fisioterapia, acompanhamento. Muitas vezes se torna incapaz e ainda terá de viver 15 anos a 20 anos com esse problema, com má qualidade de vida. Todos os profissionais de saúde deveriam estar mais familiarizados com anatomia, fisiologia, farmacologia, sinais e sintomas de doença na terceira idade. Um infarto em pessoa mais jovem causa dor. Já num idoso isso nem sempre ocorre. Outra doença comum é a depressão, que muitas vezes é confundida com mal de Alzheimer e não é tratada.
O Brasil tem um excelente Estatuto do Idoso no papel, mas na prática ainda não funciona? O que pode ser feito?
KALACHE - Já melhorou muito. Há dez anos, falar de envelhecimento não estava na pauta da mídia. Quando me especializei, na década de 70, eu não conseguia falar com ninguém sobre o assunto. Para melhorar a aplicação do estatuto é preciso sensibilizar as autoridades, os políticos. Eles querem dar prioridade a ações mais imediatas, como inaugurar uma ponte. Os políticos e dirigentes ainda não se deram conta da urgência do tema. Porém, o envelhecimento é um desafio de hoje, temos que andar rapidamente. Por exemplo, estamos tentando criar o Centro Internacional de Envelhecimento no Brasil, mas há mais dificuldades do que havia previsto. O principal objetivo do centro seria estimular políticas sustentáveis para o envelhecimento ativo. É o processo de otimizar as oportunidades de saúde, participação e segurança para que o cidadão tenha melhor qualidade de vida à medida que envelhece. É um processo, é continuo. E essas oportunidades estão ao longo da vida. Na saúde, o que se faz hoje, na infância, na adolescência, terá repercussão importante aos 78 anos. A saúde é a chave para participar ativamente da sociedade. Outra questão é a segurança para viver bem na velhice. A proposta do centro é estimular o debate com profissionaisde todas as áreas, não apenas saúde, mas arquitetos, advogados etc, realizar pesquisas e elaborar políticas públicas que poderão trazer o Brasil para o mesmo grau de evolução de países da Europa e dos Estados Unidos. E ele não será vinculado a uma única instituição. A idéia é fazer parcerias com profissionais que se dedicam à essa área, como a Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati, Uerj), UFRJ e Universidade Cândido Mendes, e no exterior, como The New York Academy of Medicine, para citar alguns exemplos.
O que aconteceu com o programa Sociedade Amiga do Idoso, da Organização Mundial de Saúde (OMS), que teve como piloto o bairro de Copacabana e serve de modelo para outras cidades do mundo?
KALACHE - O programa está lento, mas existem intervenções pontuais. Copacabana serviu como piloto e foi aqui que desenvolvemos a metodologia adotada em 35 cidades para o projeto global cidade amiga do idoso. Isso é realidade e partiu daqui. Depois repetimos a pesquisa entrevistando idosos de Tóquio, Xangai, Londres, Melbourne, Nova York e outras cidades. Analisamos os relatórios e os dados foram usados para produzir um guia, lançado em 1º de outubro de 2007. E teve um grande impacto. Agora são centenas de cidades e nova reunião será realizada em setembro, em Montreal. Apesar de ter nascido em Copacabana, pouco foi feito aqui. O tema transporte é um dos mais importantes para esta população. No Brasil os ônibus brasileiros são feitos em chassi, com degraus altos. Em Nova York o sistema está sendo todo reformulado. Já existem ônibus nos quais o chassi inteiro desce, não apenas um degrau. O que é bom para o idoso é bom para todos. Eu entro mais facilmente com um embrulho, a mulher com bebê, a pessoa com necessidade, o gordo. Uma boa política de envelhecimento é uma boa política de transporte público. O idoso poderá socializar mais. Outra questão: o idoso gosta de caminhar, de andar, mas também precisa descansar, a cada 200 metros a 300 metros. Criar um mobiliário urbano adequado é importante. A construção de toaletes públicos é outra medida simples. Muitos idosos têm urgência urinária, e não saem de casa porque não encontram esse tipo de equipamento. Não é só a questão financeira, é preciso vontade política. Por aqui há poucas iniciativas. Agora o Estado do Rio Grande do Sul começa a tomar algumas iniciativas nesse sentido. Lá, em parceria com o governo, estamos realizando debates, fóruns para discutir e implantar medidas que melhorem a qualidade de vida do idoso. Existem necessidades comuns, mas cada comunidade tem suas diferenças. Na Região Sul ainda existem muitos idosos vivendo em populações agrícolas e isolados. Os filhos saíram de casa, eles vivem sozinhos em muitas vezes em imóveis que estão se deteriorando, sem poder aquisitivo. O governo convocou mutirões convocando idosos mais ativos, recém aposentados, como bombeiros, pedreiros e eletricistas, para reformarem essas casas, a partir de algum incentivo financeiro.
O que é melhor para idoso, ser cuidado em casa ou numa instituição?
KALACHE - Hoje ocorre a feminização do envelhecimento. Na faixa a partir dos 85 anos, dois terços da população é formada por mulheres, geralmente de baixa renda e há muito tempo viúvas. Muitas se casaram com homens mais velhos. A responsabilidade de cuidar de outro idoso geralmente é da mulher. O homem ainda participa pouco. Na faixa de 18 anos a 30 anos, a mulher é principal cuidadora de algum doente dentro de casa e dedica, em média, 18 minutos por dia do seu tempo nessa tarefa. Na faixa de 45 anos a 54 anos, ela gasta 150 minutos. De 65 anos a 74 anos, dedica 210 minutos do seu tempo. De 75 anos a 84 anos o tempo gasto é 310 minutos. Geralmente cuidam dos maridos ou dos próprios pais. Mesmo depois de 85 anos a mulher ainda passa 63 minutos em média cuidando de alguém, mais de três vezes a média das mais jovens. De maneira geral, a pessoa idosa quer envelhecer em casa, não quer ser institucionalizada, por melhor que seja a casa da repouso. É preciso repensar a sociedade para o homem ter participação mais ativa no cuidado, compartilhar mais. E que de alguma forma o poder público ajude para para que as pessoas possam envelhecer em casa. Isso depende também de investimento em atenção primária. Estudo em 2002 na Espanha, mostrou que apenas 12% das pessoas que cuidavam de idosos eram profissionais especializados. No Brasil ainda existe a figura da empregada doméstica, que também atua como cuidadora. Quase 90% eram familiares, amigos, vizinhos. Há estudos similares na Europa e nos Estados Unidos. Não há nenhum país do mundo com mais de 6% de idosos vivendo em instituições. Para a imensa maioria dos idosos, a institucionalização é o começo do fim, a pessoa fica deprimida, está mais sujeita a abusos, perde sua privacidade e sua autonomia para viver de acordo com suas próprias regras e os seus desejos. Mesmo lúcida ela não tem mais autonomia. Terá que seguir regras das instituição, comer na hora determinada, dividir um quarto, usar banheiro coletivo. São raros os lugares bons.
De que forma os avanços em medicina genética estão melhorando a qualidade de vida dos idosos?
KALACHE - Provavelmente, com os avanços científicos, como a medicina genética, as pessoas vão chegar mais facilmente aos 100 anos e com melhor qualidade de vida. Em vez de tratar, a pessoas será curada de doenças crônicas como Parkinson e Alzheimer. Mas para algumas pessoas esse aumento da expectativa de vida será uma perversidade porque continuarão com má qualidade de vida. Por isso estamos buscando intervenções que possam facilitar que a pessoa continue ativa e produtiva. De qualquer forma, envelhecer hoje é muito mais fácil do que há 40 anos a 50 anos. Mas não podemos esperar soluções de fora, temos que desenvolver nossas próprias. É preciso dar mais ênfase em direitos de idosos.
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envelhecimento masculino
Estatinas retardam envelhecimento de artérias, diz estudo
Plantão | Publicada em 29/09/2008 às 06h37m
BBC
Uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, sugere que o uso de estatinas, substâncias utilizadas no combate ao colesterol, podem retardar o envelhecimento das artérias.
As artérias dos pacientes que sofrem de doenças cardíacas envelhecem em uma progressão mais acelerada do que o resto do corpo.
Isso acontece porque as doenças podem danificar o DNA das células que protegem as paredes das artérias, limitando sua habilidade de limpar os depósitos de gordura.
Segundo o estudo, publicado na revista científica Circulation Research, as estatinas estimulam a produção de uma proteína chamada NBS-1, capaz de detectar os danos no DNA das células arteriais e acelerar sua recuperação, atrasando dessa forma seu envelhecimento.
"É uma descoberta interessante descobrir que as estatinas não apenas reduzem o colesterol, mas estimulam o kit de recuperação do DNA das células, atrasando o envelhecimento das artérias", disse Martin Bennett, que coordenou o estudo.
Funções
As células do corpo humano são capazes de se dividir apenas um número limitado de vezes. Nos pacientes com doenças cardíacas, as células arteriais se dividem entre sete e 13 vezes mais vezes do que o normal - o que resulta em um envelhecimento precoce das artérias.
As células das artérias mais "envelhecidas" não funcionam tão bem quanto a daquelas mais jovens. Por isso, são menos capazes de combater a ruptura dos depósitos de gordura, chamados de placas arterioscleróticas, o que pode bloquear as artérias e causar ataques cardíacos e derrames.
De acordo com o estudo, ao aumentar os níveis da proteína NBS-1, as estatinas aceleram a recuperação do DNA das células, aumentando o tempo de vida das artérias e prevenindo seu envelhecimento prematuro.
"Os principais fatores de risco que causam as doenças cardíacas - pressão alta, diabetes, colesterol alto, fumo, falta de exercício - aceleram um processo de envelhecimento comum, que é irreversível. Reduzir os riscos com algumas mudanças de estilo de vida pode ajudar a prevenir esse envelhecimento - e descobrimos que as estatinas podem contribuir nesse processo", afirmou Bennett.
Segundo o pesquisador, se as estatinas forem capazes de agir da mesma forma em outras células, talvez possam proteger os tecidos normais dos danos causados no DNA como parte da quimioterapia ou radioterapia em pacientes com câncer, "potencialmente reduzindo os efeitos colaterais".
Para o diretor médico da Fundação Britânica do Coração, Peter Weissberg, "níveis altos de colesterol no sangue induzem um ciclo repetitivo de danos e recuperação nas paredes arteriais que resulta em ataques cardíacos se o mecanismo de recuperação não é adequado".
"As estatinas protegem contra ataques cardíacos ao reduzir os níveis de colesterol e os conseqüentes danos às paredes arteriais. Essa pesquisa demonstrou que as substâncias podem ainda aprimorar os mecanismos de recuperação naturais das artérias", concluiu Weissberg.
BBC
Uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, sugere que o uso de estatinas, substâncias utilizadas no combate ao colesterol, podem retardar o envelhecimento das artérias.
As artérias dos pacientes que sofrem de doenças cardíacas envelhecem em uma progressão mais acelerada do que o resto do corpo.
Isso acontece porque as doenças podem danificar o DNA das células que protegem as paredes das artérias, limitando sua habilidade de limpar os depósitos de gordura.
Segundo o estudo, publicado na revista científica Circulation Research, as estatinas estimulam a produção de uma proteína chamada NBS-1, capaz de detectar os danos no DNA das células arteriais e acelerar sua recuperação, atrasando dessa forma seu envelhecimento.
"É uma descoberta interessante descobrir que as estatinas não apenas reduzem o colesterol, mas estimulam o kit de recuperação do DNA das células, atrasando o envelhecimento das artérias", disse Martin Bennett, que coordenou o estudo.
Funções
As células do corpo humano são capazes de se dividir apenas um número limitado de vezes. Nos pacientes com doenças cardíacas, as células arteriais se dividem entre sete e 13 vezes mais vezes do que o normal - o que resulta em um envelhecimento precoce das artérias.
As células das artérias mais "envelhecidas" não funcionam tão bem quanto a daquelas mais jovens. Por isso, são menos capazes de combater a ruptura dos depósitos de gordura, chamados de placas arterioscleróticas, o que pode bloquear as artérias e causar ataques cardíacos e derrames.
De acordo com o estudo, ao aumentar os níveis da proteína NBS-1, as estatinas aceleram a recuperação do DNA das células, aumentando o tempo de vida das artérias e prevenindo seu envelhecimento prematuro.
"Os principais fatores de risco que causam as doenças cardíacas - pressão alta, diabetes, colesterol alto, fumo, falta de exercício - aceleram um processo de envelhecimento comum, que é irreversível. Reduzir os riscos com algumas mudanças de estilo de vida pode ajudar a prevenir esse envelhecimento - e descobrimos que as estatinas podem contribuir nesse processo", afirmou Bennett.
Segundo o pesquisador, se as estatinas forem capazes de agir da mesma forma em outras células, talvez possam proteger os tecidos normais dos danos causados no DNA como parte da quimioterapia ou radioterapia em pacientes com câncer, "potencialmente reduzindo os efeitos colaterais".
Para o diretor médico da Fundação Britânica do Coração, Peter Weissberg, "níveis altos de colesterol no sangue induzem um ciclo repetitivo de danos e recuperação nas paredes arteriais que resulta em ataques cardíacos se o mecanismo de recuperação não é adequado".
"As estatinas protegem contra ataques cardíacos ao reduzir os níveis de colesterol e os conseqüentes danos às paredes arteriais. Essa pesquisa demonstrou que as substâncias podem ainda aprimorar os mecanismos de recuperação naturais das artérias", concluiu Weissberg.
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Maioria dos americanos entre 57 e 64 anos tem vida sexual ativa
23/08/2007 - 09h01
Uma pesquisa norte-americana divulgada na última quarta-feira (22) constatou que cerca de 73% das pessoas entre 57 e 64 anos afirmam ter vida sexual ativa. Esta proporção passa a 53% para os que têm idades entre 65 e 74 anos e a 26% para os maiores de 75.
De acordo com a pesquisa, as mulheres destas idades sentem menos desejo que os homens.
Quase metade dos que se mantêm sexualmente ativos admitiram, no entanto, que tiveram pelo menos um problema. Assim, 37% dos homens mencionaram problemas de ereção e 39% das mulheres citaram problemas de lubrificação.
O estudo realizado com 3.005 homens e mulheres mostra que a atividade sexual diminui pouco entre 50 e 70 anos.
Financiada pelo Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos, a pesquisa frisa que o sexo depende essencialmente da saúde, um fator que se torna decisivo com a idade.
Uma pesquisa norte-americana divulgada na última quarta-feira (22) constatou que cerca de 73% das pessoas entre 57 e 64 anos afirmam ter vida sexual ativa. Esta proporção passa a 53% para os que têm idades entre 65 e 74 anos e a 26% para os maiores de 75.
De acordo com a pesquisa, as mulheres destas idades sentem menos desejo que os homens.
Quase metade dos que se mantêm sexualmente ativos admitiram, no entanto, que tiveram pelo menos um problema. Assim, 37% dos homens mencionaram problemas de ereção e 39% das mulheres citaram problemas de lubrificação.
O estudo realizado com 3.005 homens e mulheres mostra que a atividade sexual diminui pouco entre 50 e 70 anos.
Financiada pelo Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos, a pesquisa frisa que o sexo depende essencialmente da saúde, um fator que se torna decisivo com a idade.
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12 de junho de 2010
Homens também envelhecem.
Mas a batalha deles contra o tempo não é a da aparência.
É comum ouvir mulheres reclamando sobre o que seria uma injustiça básica da natureza, aquela que faz com que os homens “envelheçam melhor”.
Elas olham para os nossos cabelos brancos, para as rugas ao redor dos nossos olhos, e concluem que essas coisas nos caem bem – as mesmas coisas que, nelas, são percebidas como sinais detestáveis da passagem do tempo.
Na condição de um sujeito que começa a ficar grisalho e que só enxerga as rugas ao redor dos próprios olhos quando põe óculos de leitura, eu gostaria de dizer algumas coisas sobre esse assunto.
A primeira é: obrigado. Obrigado às mulheres por serem generosas e encontrarem charme nos sinais de decadência que nos assustam.
A gente olha no espelho e fica contrariado com o que vê, mas o olhar de vocês, de alguma maneira, sinaliza que está tudo bem – que ainda somos desejáveis, embora já não sejamos jovens.
Acontece que envelhecer não tem apenas dimensão social e tampouco se trata de uma mudança apenas de aparência. É uma experiência pessoal e íntima.
Cada um sabe a idade que tem, embora os outros possam não perceber ou não se incomodar. Ter 40 anos e aparência de 30 não é o mesmo que ter 30 anos. Interiormente é diferente – e ainda bem que é. Nem imagino como seria ter 30 anos para sempre. Ou ter qualquer idade para sempre. Ou viver para sempre. A palavra “sempre” é contrária ao que nos faz humanos.
Lidar com a passagem do tempo, portanto, é algo que cada um de nós tem de fazer sozinho - e os homens fazem isso muito mal.
A imprensa nos conta e a experiência confirma que há muitas mulheres obcecadas em manter uma aparência juvenil depois que a juventude ficou para trás. Mas os homens, embora mais relaxados com a própria aparência, também travam a seu modo uma batalha perdida contra o tempo. Uma batalha subjetiva.
Boa parte dos homens insiste em resistir aos efeitos da idade. Quer sentir-se jovem e agir como jovem até o fim. Há uma recusa obstinada em aceitar o limite do tempo e a declinar dos papéis de protagonista. O sujeito quer ser o galã eterno da novela da vida dele. Não aceita o papel de pai ou de avô.
Saiba mais
»Leia outras colunas de Ivan MartinsLembro de um amigo mais velho, recém-passado dos 70, me dizendo, na mesa de um almoço de jornalistas, que às vezes sonhava em recomeçar com uma nova mulher. Uma mulher de uns 30 anos... O que me espantou (penalizou, na verdade) é que ele imaginasse a sua felicidade ligada a uma situação tão improvável. Era óbvio que se recusava a aceitar a idade que tinha.
Outro dia, folheando o jornal, deparei com a foto de duas crianças novinhas, filhas de um sujeito rico e famoso que já bateu nos 60 anos. As imagens eram incongruentes: de um lado, um homem meio caído; de outro, o frescor das crianças. Fiquei me perguntando o que levara o sujeito a repetir, às portas da terceira idade, uma experiência que a natureza recomenda ter mais cedo. E concluí que ele não tinha ideia melhor do que fazer com a própria existência. Talvez tenha tido razões sentimentais, mas, como programa de vida, a reprodução tardia me parece uma droga. A vida deveria ser invenção, não repetição.
A verdade é que os homens, a despeito dessas bravatas biológicas, são tão inseguros quanto as mulheres quando se trata de envelhecer. E provavelmente mais perdidos. Se a aparência enlouquece as mulheres, a vitalidade é a obsessão masculina. Sobretudo aquela vitalidade... Com o agravante de que o cara não pode sair por aí anunciando que está com problemas. Os homens não falam disso abertamente. Ou melhor, falam, para mentir uns aos outros. Este é o país dos Romários e dos Ziraldos, gente que, sabidamente, nunca broxou. A angústia masculina é solitária, enquanto a da mulher é pública.
O medo da impotência masculino não é apenas físico, ele é também simbólico. É o medo de ser superado. Se o pesadelo feminino é a mulher de 20 anos, bonita e sedutora, o do homem é o jovem rebelde e audaz. Ele ameaça o lugar do cidadão maduro, que reage ao risco com rabugice, amargura, preconceito contra os que chegam. Ele se torna sentencioso e professoral, agressivo em defesa do seu status deslizante: eles são bárbaros, não sabem nada, não estudam nada, não se preocupam. Desde a Grécia antiga os velhos se queixam da ignorância, da incompetência e da insensibilidade dos jovens – mas nos últimos 3000 anos o mundo avançou, não retrocedeu.
Nelson Rodrigues, numa demonstração desavergonhada de suas aflições íntimas, aconselhou aos jovens, “envelheçam”. Poderia ter completando: “uma vez que eu não posso rejuvenescer”. Ele terminou a vida envolvido com mulheres muito mais jovens e tinha alucinações de ciúme dignas dos seus personagens mais grotescos.
No mundo perecível dos homens, excessivamente material e físico em relação ao mundo das mulheres, a perda da vitalidade equivale à perda de poder – nos sentimos ameaçados pela força e pela violência dos mais jovens. E isso angustia.
Há uma passagem num romance do sul-africano J.M. Coetzee, acho que em Desonra, na qual um personagem comenta que, até os 50 anos, ele tinha facilidade em se aproximar das mulheres e obter sexo. Elas eram atraídas por ele naturalmente. Depois dos 50 algo começou a mudar até que o seu poder de sedução quase se extinguiu.
É isso. Não acontece apenas com as mulheres. Não dói menos nos homens. Não é mais fácil para eles. Talvez demore um pouco mais, mas chega da mesma forma – e os homens, acreditem, não estão preparados. Embora não pareça. Embora a generosidade das mulheres nos proteja.
É comum ouvir mulheres reclamando sobre o que seria uma injustiça básica da natureza, aquela que faz com que os homens “envelheçam melhor”.
Elas olham para os nossos cabelos brancos, para as rugas ao redor dos nossos olhos, e concluem que essas coisas nos caem bem – as mesmas coisas que, nelas, são percebidas como sinais detestáveis da passagem do tempo.
Na condição de um sujeito que começa a ficar grisalho e que só enxerga as rugas ao redor dos próprios olhos quando põe óculos de leitura, eu gostaria de dizer algumas coisas sobre esse assunto.
A primeira é: obrigado. Obrigado às mulheres por serem generosas e encontrarem charme nos sinais de decadência que nos assustam.
A gente olha no espelho e fica contrariado com o que vê, mas o olhar de vocês, de alguma maneira, sinaliza que está tudo bem – que ainda somos desejáveis, embora já não sejamos jovens.
Acontece que envelhecer não tem apenas dimensão social e tampouco se trata de uma mudança apenas de aparência. É uma experiência pessoal e íntima.
Cada um sabe a idade que tem, embora os outros possam não perceber ou não se incomodar. Ter 40 anos e aparência de 30 não é o mesmo que ter 30 anos. Interiormente é diferente – e ainda bem que é. Nem imagino como seria ter 30 anos para sempre. Ou ter qualquer idade para sempre. Ou viver para sempre. A palavra “sempre” é contrária ao que nos faz humanos.
Lidar com a passagem do tempo, portanto, é algo que cada um de nós tem de fazer sozinho - e os homens fazem isso muito mal.
A imprensa nos conta e a experiência confirma que há muitas mulheres obcecadas em manter uma aparência juvenil depois que a juventude ficou para trás. Mas os homens, embora mais relaxados com a própria aparência, também travam a seu modo uma batalha perdida contra o tempo. Uma batalha subjetiva.
Boa parte dos homens insiste em resistir aos efeitos da idade. Quer sentir-se jovem e agir como jovem até o fim. Há uma recusa obstinada em aceitar o limite do tempo e a declinar dos papéis de protagonista. O sujeito quer ser o galã eterno da novela da vida dele. Não aceita o papel de pai ou de avô.
Saiba mais
»Leia outras colunas de Ivan MartinsLembro de um amigo mais velho, recém-passado dos 70, me dizendo, na mesa de um almoço de jornalistas, que às vezes sonhava em recomeçar com uma nova mulher. Uma mulher de uns 30 anos... O que me espantou (penalizou, na verdade) é que ele imaginasse a sua felicidade ligada a uma situação tão improvável. Era óbvio que se recusava a aceitar a idade que tinha.
Outro dia, folheando o jornal, deparei com a foto de duas crianças novinhas, filhas de um sujeito rico e famoso que já bateu nos 60 anos. As imagens eram incongruentes: de um lado, um homem meio caído; de outro, o frescor das crianças. Fiquei me perguntando o que levara o sujeito a repetir, às portas da terceira idade, uma experiência que a natureza recomenda ter mais cedo. E concluí que ele não tinha ideia melhor do que fazer com a própria existência. Talvez tenha tido razões sentimentais, mas, como programa de vida, a reprodução tardia me parece uma droga. A vida deveria ser invenção, não repetição.
A verdade é que os homens, a despeito dessas bravatas biológicas, são tão inseguros quanto as mulheres quando se trata de envelhecer. E provavelmente mais perdidos. Se a aparência enlouquece as mulheres, a vitalidade é a obsessão masculina. Sobretudo aquela vitalidade... Com o agravante de que o cara não pode sair por aí anunciando que está com problemas. Os homens não falam disso abertamente. Ou melhor, falam, para mentir uns aos outros. Este é o país dos Romários e dos Ziraldos, gente que, sabidamente, nunca broxou. A angústia masculina é solitária, enquanto a da mulher é pública.
O medo da impotência masculino não é apenas físico, ele é também simbólico. É o medo de ser superado. Se o pesadelo feminino é a mulher de 20 anos, bonita e sedutora, o do homem é o jovem rebelde e audaz. Ele ameaça o lugar do cidadão maduro, que reage ao risco com rabugice, amargura, preconceito contra os que chegam. Ele se torna sentencioso e professoral, agressivo em defesa do seu status deslizante: eles são bárbaros, não sabem nada, não estudam nada, não se preocupam. Desde a Grécia antiga os velhos se queixam da ignorância, da incompetência e da insensibilidade dos jovens – mas nos últimos 3000 anos o mundo avançou, não retrocedeu.
Nelson Rodrigues, numa demonstração desavergonhada de suas aflições íntimas, aconselhou aos jovens, “envelheçam”. Poderia ter completando: “uma vez que eu não posso rejuvenescer”. Ele terminou a vida envolvido com mulheres muito mais jovens e tinha alucinações de ciúme dignas dos seus personagens mais grotescos.
No mundo perecível dos homens, excessivamente material e físico em relação ao mundo das mulheres, a perda da vitalidade equivale à perda de poder – nos sentimos ameaçados pela força e pela violência dos mais jovens. E isso angustia.
Há uma passagem num romance do sul-africano J.M. Coetzee, acho que em Desonra, na qual um personagem comenta que, até os 50 anos, ele tinha facilidade em se aproximar das mulheres e obter sexo. Elas eram atraídas por ele naturalmente. Depois dos 50 algo começou a mudar até que o seu poder de sedução quase se extinguiu.
É isso. Não acontece apenas com as mulheres. Não dói menos nos homens. Não é mais fácil para eles. Talvez demore um pouco mais, mas chega da mesma forma – e os homens, acreditem, não estão preparados. Embora não pareça. Embora a generosidade das mulheres nos proteja.
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13 de julho de 2008
As características sexuais do homem idoso.
A terceira idade é um período caracterizado por intensas mudanças físicas, patológicas, sociais e emocionais. O idoso revê seus conceitos sobre dinheiro, trabalho, ambições, beleza, vida, prazer e sexo; prefere mais qualidade ao invés de quantidade em tudo, inclusive nas suas relações sexuais.
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A sua função sexual se altera basicamente pelas mudanças fisiológicas e anatômicas do organismo provocadas pelo próprio processo de envelhecimento. Porém, não se pode associar essa fase da vida à perda ou à incapacidade de manter relações sexuais. As dificuldades normalmente se iniciam a partir dos 40-50 anos, pois além da diminuição lenta e gradual da testosterona, há uma maior incidência de doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, obesidade e dislipidemias muitas vezes agravadas pelo fumo, álcool, estresse, sedentarismo e outros fatores de risco.
A sua função sexual se altera basicamente pelas mudanças fisiológicas e anatômicas do organismo provocadas pelo próprio processo de envelhecimento. Porém, não se pode associar essa fase da vida à perda ou à incapacidade de manter relações sexuais. As dificuldades normalmente se iniciam a partir dos 40-50 anos, pois além da diminuição lenta e gradual da testosterona, há uma maior incidência de doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, obesidade e dislipidemias muitas vezes agravadas pelo fumo, álcool, estresse, sedentarismo e outros fatores de risco.
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Além das causas orgânicas, surgem questões de ordem emocional referentes a aposentadoria, casamento, doenças, auto-estima além de fatores sociais e culturais.Em geral, as alterações sexuais masculinas são lentas e progressivas, dando tempo ao homem de se adaptar a uma atividade menos intensa.
Além das causas orgânicas, surgem questões de ordem emocional referentes a aposentadoria, casamento, doenças, auto-estima além de fatores sociais e culturais.Em geral, as alterações sexuais masculinas são lentas e progressivas, dando tempo ao homem de se adaptar a uma atividade menos intensa.
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Não existe uma disfunção erétil que seja específica do homem idoso, mas sim uma diminuição da sua capacidade sexual global. É importante que os homens conheçam e tenham consciência dessas mudanças, para que uma eventual falha erétil não cause uma ansiedade de desempenho desastrosa, capaz de contaminar e comprometer as relações futuras.
Não existe uma disfunção erétil que seja específica do homem idoso, mas sim uma diminuição da sua capacidade sexual global. É importante que os homens conheçam e tenham consciência dessas mudanças, para que uma eventual falha erétil não cause uma ansiedade de desempenho desastrosa, capaz de contaminar e comprometer as relações futuras.
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Ao atingir a maturidade, o sexo é cada vez menos carnal, tornando-se cada vez mais afetivo. As relações são menos sexuais e mais sensuais. Aos poucos, o homem se vê obrigado a assumir o papel de protagonista da relação, trocando de lugar com o seu pênis, que até então tinha sido o ator principal da relação. Isso o obriga a uma adaptação, caso contrário, ele fica perdido sem entender as mudanças que ocorrem no seu organismo.
Ao atingir a maturidade, o sexo é cada vez menos carnal, tornando-se cada vez mais afetivo. As relações são menos sexuais e mais sensuais. Aos poucos, o homem se vê obrigado a assumir o papel de protagonista da relação, trocando de lugar com o seu pênis, que até então tinha sido o ator principal da relação. Isso o obriga a uma adaptação, caso contrário, ele fica perdido sem entender as mudanças que ocorrem no seu organismo.
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Muitas estatísticas mostram que a atividade sexual diminui com o decorrer da idade, tanto em homens quanto em mulheres; no entanto várias outras estatísticas mostram que homens idosos ainda permanecem sexualmente ativos, uns mais outros menos, mesmo após os 70-80 anos.
Muitas estatísticas mostram que a atividade sexual diminui com o decorrer da idade, tanto em homens quanto em mulheres; no entanto várias outras estatísticas mostram que homens idosos ainda permanecem sexualmente ativos, uns mais outros menos, mesmo após os 70-80 anos.
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14 de junho de 2008
O resveratrol, encontrado no vinho tinto, retarda o envelhecimento.
VEJA 11-06-2008
mmmmNenhuma bebida atrai tanto a atenção da medicina quanto o vinho tinto. Seu consumo está associado a uma série de benefícios à saúde. A mais recente descoberta sobre a bebida estende seus efeitos ao aumento da expectativa de vida – ao menos em ratos. Isso graças ao resveratrol, substância com propriedades antioxidantes e antiinflamatórias encontrada na casca e nas sementes das uvas vermelhas. O estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica PLoS One, revelou que não são necessárias doses altas de resveratrol para que a substância tenha ação antienvelhecimento. "Em baixas quantidades e consumido a partir dos 40 anos, já é possível obter os benefícios antiidade", diz um dos autores do trabalho, o brasileiro Tomas Prolla. O processo pelo qual o resveratrol retarda o envelhecimento se dá pelos mesmos mecanismos da restrição calórica. Vários trabalhos (também em animais) já provaram que uma redução de 20% a 30% nas calorias consumidas diariamente aumenta em até 40% a longevidade – sem os efeitos mais perniciosos do envelhecimento. Em ambos os casos, há uma alteração num conjunto de centenas de genes envolvidos na degradação celular.
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A aposta da medicina no resveratrol é alta. Na semana passada, a gigante do setor farmacêutico GlaxoSmithKline pagou 720 milhões de dólares pelo laboratório Sirtris, que desenvolve medicamentos baseados em moléculas análogas à do resveratrol. O fundador do Sirtris, o médico David Sinclair, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, descobriu que o resveratrol também age em outra frente antiidade: estimula a produção e o funcionamento de uma família de enzimas conhecidas como sirtuínas, que agem como guardiãs das células. Em quantidades elevadas, essas enzimas tornam-se mais eficientes no reparo do DNA e, assim, prolongam a vida das células. Beber vinho faz bem, mas, quando se fala em doses moderadas, não cabem aí subjetividades. O ideal são poucos copos por semana para todo mundo. "O consumo excessivo da bebida neutraliza seus benefícios. Adquire-se peso e, na pior das hipóteses, cirrose", diz o cardiologista Daniel Magnoni.
A aposta da medicina no resveratrol é alta. Na semana passada, a gigante do setor farmacêutico GlaxoSmithKline pagou 720 milhões de dólares pelo laboratório Sirtris, que desenvolve medicamentos baseados em moléculas análogas à do resveratrol. O fundador do Sirtris, o médico David Sinclair, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, descobriu que o resveratrol também age em outra frente antiidade: estimula a produção e o funcionamento de uma família de enzimas conhecidas como sirtuínas, que agem como guardiãs das células. Em quantidades elevadas, essas enzimas tornam-se mais eficientes no reparo do DNA e, assim, prolongam a vida das células. Beber vinho faz bem, mas, quando se fala em doses moderadas, não cabem aí subjetividades. O ideal são poucos copos por semana para todo mundo. "O consumo excessivo da bebida neutraliza seus benefícios. Adquire-se peso e, na pior das hipóteses, cirrose", diz o cardiologista Daniel Magnoni.
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Os benefícios atribuídos ao vinho
Os benefícios atribuídos ao vinho
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bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbAntienvelhecimento:
bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbAntienvelhecimento:
mmO resveratrol é uma substância encontrada na casca da uva vermelha. O estudo mais recente indica que ela atua em um conjunto de genes associados ao envelhecimento. A substância retarda o processo de envelhecimento de vários tecidos, como o cerebral, o muscular e o cardíaco, em especial.
mmmmmmmmmmmmmmmCombate às doenças cardiovasculares:
mmmmmmmmmmmmmmmCombate às doenças cardiovasculares:
mmO resveratrol aumenta o HDL, o bom colesterol, e diminui o LDL, o colesterol ruim. Além disso, a substância é um potente vasodilatador que, ao relaxar as artérias, melhora a circulação sanguínea
mmmmmmmmmmmmmmmmmmmPrevenção do câncer:
mmmmmmmmmmmmmmmmmmmPrevenção do câncer:
mmEstudos em animais indicam que o resveratrol, por seus poderes antioxidantes, ao combater a ação dos radicais livres, preservaria as células de lesões que podem levar ao câncer
nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnCombate a dores articulares:
mmAtribui-se aos polifenóis, grupo do qual o resveratrol faz parte, capacidade analgésica – sobretudo em pacientes vítimas de artrite. A analgesia, ainda que baixa como mostram os estudos, deve-se às características antiinflamatórias da substância.
nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnPrevenção da doença de Alzheimer:
nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnPrevenção da doença de Alzheimer:
mmO resveratrol, sugerem os estudos em neurologia, evitaria o depósito no cérebro das placas de proteína tóxicas, que levam os neurônios à morte.
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30 de março de 2008
ESCALA DE SINTOMAS DE ENVELHECIMENTO MASCULINO
Heinemann LA, Saad F, Zimmermann T. The Aging Males’s Symptoms (AMS) scale: Health Qual Life Outcomes. 2003 May 1; 1(1):15.
Quais dos sintomas abaixo afetam você atualmente?
Quais dos sintomas abaixo afetam você atualmente?
Marque ao lado de cada frase de 1 a 5 o grau de severidade para cada sintoma, sendo:
1- nenhum
2- pouco
3- moderado
4- grave
5- muito grave
==========================================================
1- Mal estar generalizado (estado de saúde geral).
2- Dores nas articulações e dores musculares (na coluna, nas articulações, nos membros, nas costas).
3- Suor intenso (ondas de calor mesmo sem fazer esforço).
4- Alterações do sono (insônia, acorda com freqüência durante a noite, acorda muito cedo e cansado, sono agitado).
5- Está sempre cansado, sempre querendo dormir.
6- Irritabilidade (agressividade, mau humor).
7- Nervosismo (ansiedade excessiva, agitação, irritabilidade).
8- Medo (receio, pânico).
9- Esgotamento físico/diminuição da força ativa (diminuição geral da atividade, falta de vontade, sensação de estar rendendo menos, fazendo tudo por obrigação, desanimo).
10- Diminuição da força muscular (sensação de fraqueza).
11- Estado depressivo (falta de animo, falta de iniciativa).
12- Sensação de que o ponto culminante da vida já passou.
13- Sentimento de esgotamento emocional; sente que chegou ao “ponto mais baixo”.
14- Diminuição do crescimento da barba.
15- Diminuição do desempenho sexual (freqüência ou capacidade de ter relações sexuais).
16- Diminuição das ereções matinais.
17- Diminuição da vontade do desejo sexual (libido, ausência do prazer do sexo).
Avaliação:
17 a 26 = nenhum sintoma de envelhecimento masculino importante.
27 a 36 = poucos sintomas. Reposição hormonal discutível.
37 a 49 = moderados sintomas sendo recomendável avaliar reposição.
50 ou mais = graves sintomas indicando reposiçao hormonal.
De acordo com a sua pontuação, avalie junto ao seu médico a necessidade de se fazer a Terapia de Reposição Hormonal.
1- nenhum
2- pouco
3- moderado
4- grave
5- muito grave
==========================================================
1- Mal estar generalizado (estado de saúde geral).
2- Dores nas articulações e dores musculares (na coluna, nas articulações, nos membros, nas costas).
3- Suor intenso (ondas de calor mesmo sem fazer esforço).
4- Alterações do sono (insônia, acorda com freqüência durante a noite, acorda muito cedo e cansado, sono agitado).
5- Está sempre cansado, sempre querendo dormir.
6- Irritabilidade (agressividade, mau humor).
7- Nervosismo (ansiedade excessiva, agitação, irritabilidade).
8- Medo (receio, pânico).
9- Esgotamento físico/diminuição da força ativa (diminuição geral da atividade, falta de vontade, sensação de estar rendendo menos, fazendo tudo por obrigação, desanimo).
10- Diminuição da força muscular (sensação de fraqueza).
11- Estado depressivo (falta de animo, falta de iniciativa).
12- Sensação de que o ponto culminante da vida já passou.
13- Sentimento de esgotamento emocional; sente que chegou ao “ponto mais baixo”.
14- Diminuição do crescimento da barba.
15- Diminuição do desempenho sexual (freqüência ou capacidade de ter relações sexuais).
16- Diminuição das ereções matinais.
17- Diminuição da vontade do desejo sexual (libido, ausência do prazer do sexo).
Avaliação:
17 a 26 = nenhum sintoma de envelhecimento masculino importante.
27 a 36 = poucos sintomas. Reposição hormonal discutível.
37 a 49 = moderados sintomas sendo recomendável avaliar reposição.
50 ou mais = graves sintomas indicando reposiçao hormonal.
De acordo com a sua pontuação, avalie junto ao seu médico a necessidade de se fazer a Terapia de Reposição Hormonal.
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21 de fevereiro de 2008
Estudo populacional do envelhecimento masculino.
Artigo original da Revista Brasileira de Medicina, de agosto de 2007.
OBJETIVO: Apresentar os resultados gerais de estudo a respeito de saúde geral, saúde sexual e qualidade de vida do brasileiro acima dos 40 anos de idade, focalizando os índices masculinos.
MÉTODOS: Questionário auto-responsivo e anonimo aplicado em 10.161 indivíduos maiores de 40 anos, em 19 cidades brasileiras, sobre saúde geral e sexual, hábitos de vida e envelhecimento masculino.
RESULTADOS: A média etária dos homens foi de 52 anos, estando 74% deles em união estável, 96% referiram atividade sexual no último ano, 16% eram obesos, 50% estavam acima do peso, 15% já usaram medicamentos orais para ereção, sendo que destes, 70% tiveram bom resultado. Urinar 2 ou mais vezes a noite foi referido por 18%, sendo que no último ano 33% fizeram o toque retal na consulta com o urologista, 64% fizeram o PSA, dos quais 4% tiveram "resultado alterado". Os hábitos do envelhecimento revelou altos índices de nervosismo, irritabilidade e alterações do sono, dores ósseas e musculares, diminuição das ereções matinais, queda do desempenho das ereções e do desejo sexual, esgotamento físico, estado depressivo e suor intenso. Esses índices acusaram que 13% desses homens têm queixas relacionadas a queda da testosterona.
CONCLUSÃO: O envelhecimento masculino no Brasil conduz a prejuizo da função sexual, sintomas geniturinários, obesidade e síndrome metabólica. Intervenções precoces levam a tratamentos mais adequados. Estudos epidemiológicos orientam essas intervenções, ao caracterizar a população e suas necessidades para o resgate da saúde e da qualidade de vida.
OBJETIVO: Apresentar os resultados gerais de estudo a respeito de saúde geral, saúde sexual e qualidade de vida do brasileiro acima dos 40 anos de idade, focalizando os índices masculinos.
MÉTODOS: Questionário auto-responsivo e anonimo aplicado em 10.161 indivíduos maiores de 40 anos, em 19 cidades brasileiras, sobre saúde geral e sexual, hábitos de vida e envelhecimento masculino.
RESULTADOS: A média etária dos homens foi de 52 anos, estando 74% deles em união estável, 96% referiram atividade sexual no último ano, 16% eram obesos, 50% estavam acima do peso, 15% já usaram medicamentos orais para ereção, sendo que destes, 70% tiveram bom resultado. Urinar 2 ou mais vezes a noite foi referido por 18%, sendo que no último ano 33% fizeram o toque retal na consulta com o urologista, 64% fizeram o PSA, dos quais 4% tiveram "resultado alterado". Os hábitos do envelhecimento revelou altos índices de nervosismo, irritabilidade e alterações do sono, dores ósseas e musculares, diminuição das ereções matinais, queda do desempenho das ereções e do desejo sexual, esgotamento físico, estado depressivo e suor intenso. Esses índices acusaram que 13% desses homens têm queixas relacionadas a queda da testosterona.
CONCLUSÃO: O envelhecimento masculino no Brasil conduz a prejuizo da função sexual, sintomas geniturinários, obesidade e síndrome metabólica. Intervenções precoces levam a tratamentos mais adequados. Estudos epidemiológicos orientam essas intervenções, ao caracterizar a população e suas necessidades para o resgate da saúde e da qualidade de vida.
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