28 de setembro de 2010

'Malhadora' de 102 anos dá lição a jovens sedentários.

Programa da BBC3 leva britânicos aos Estados Unidos para aprender com aposentados saudáveis.
28 de setembro de 2010 | 7h 18

Ida Wasserman, de 102 anos, se exercita sete dias por semana
Um programa de televisão produzido pelo canal BBC3 levou quatro jovens britânicos sedentários aos Estados Unidos para viver com alguns dos aposentados mais saudáveis do mundo, entre eles Ida Wasserman, que aos 102 anos faz musculação todos os dias.
Ida é a estrela da comunidade para idosos Sun City, na Flórida, onde os aposentados fazem o que podem para limitar os efeitos da idade.

Ela se mudou para lá com quase cem anos, para morar perto da filha, então com mais de 70, que sugeriu que ela fizesse exercícios. Com a malhação, ela deixou de usar bengala e passou a ser muito mais independente.

Inspiração
Por ter começado a malhar com uma idade tão avançada, Ida se tornou uma inspiração para outros aposentados e também para os jovens britânicos, que assistiram boquiabertos a uma de suas sessões de musculação. "Vocês acham isso difícil?", perguntou Ida rindo após se exercitar na cadeira adutora. "Eu acho muito fácil..."

Os jovens britânicos acharam a rotina da idosa muito difícil. "Depois de ver isso, não tenho mais desculpas para não me exercitar", disse Caroline Miller, uma britânica de 22 anos que conta que o único exercício que faz é caminhar até o carro.

Mais saudável que um aposentado?
O programa da BBC3 Are you fitter than a pensioner? (Você está mais em forma que um aposentado?) tem como objetivo mudar o estilo de vida de quatro jovens, que comem mal, fumam, bebem demais e não se exercitam. Além de Caroline Miller, Kevin Jay, um rapaz de 21 anos viciado em frango frito, a fumante Jacqualine Oliver, de 18 anos, e o amante de pizzas Sean Ryan, de 21 anos, passaram uma semana em Sun City, comendo de forma saudável e se exercitando na companhia de aposentados. No fim da semana, eles competem com quatro idosos malhadores em quatro esportes: natação, corrida, caiaque e ciclismo.

25 de setembro de 2010

Barriga denuncia risco cardíaco, e gordura visceral é mais perigosa

Edição do dia 24/09/2010

Qual a relação entre a gordura visceral e as doenças no coração? A pesquisa do InCor mostrou que a quantidade desse tipo de gordura era muito maior nas pessoas com problemas cardíacos.

Elas estão aí para quem quiser ver. De uns tempos para cá, passaram a ser quase uma denúncia. A barriguinha é um risco para o coração, mas quem tem deve se preocupar. E o teste da fita métrica ainda está valendo. Para os homens, o limite para a cintura é de 94 centímetros. E para as mulheres, 80 centímetros. É claro que isso varia um pouco de pessoa para pessoa. Mas, em geral, acima desses números, o coração pode estar em risco. E não se esqueça: o jeito certo de medir é onde terminam os ossos do quadril.

Dicas para incorporar a Dieta Mediterrânea na sua alimentação


No caso do administrador de empresas Sérgio Custódio, uns poucos centímetros a mais do que é recomendado esconderam um problemão. No ano passado, ele sentiu dores enquanto corria, e o médico pediu um exame, um cateterismo. “O cateterismo confirmou 90% de obstrução, e foi necessário fazer uma angioplastia em dezembro de 2009”, lembra.

A angioplastia que Sérgio teve que fazer é uma técnica usada para facilitar a passagem do sangue na artéria obstruída.

Hoje, ele está de volta ao InCor, em São Paulo, onde participou de uma pesquisa sobre a gordura abdominal e vai direto para o tomógrafo. A máquina faz uma espécie de raio-x extremamente detalhado das gorduras que estão escondidas dentro da barriga, onde a fita métrica não consegue registrar.

A tomografia do Sérgio revela a gordura que não se vê: a chamada gordura visceral, muito perigosa para a saúde do coração.

Qual a relação entre a gordura visceral e as doenças no coração? A pesquisa do InCor mostrou que a quantidade desse tipo de gordura era muito maior nas pessoas com problemas cardíacos, como o Sérgio.

“É uma gordura perigosa, porque é uma gordura metabolicamente ativa. Ela secreta, a todo momento, adipocitocinas. São produtos inflamatórios que acabam aumentando o risco de o indivíduo desenvolver doenças coronárias, em particular, placas de gordura na coronária”, explica o cardiologista Marcio Hiroshi Miname, do InCor/USP.

No fim, o exame não foi nada animador para Sérgio. Apesar de ter conseguido perder um pouco de peso, a barriga está maior. “De cara, eu vou intensificar os exercícios e vou procurar uma nutricionista para ver a questão da alimentação, alguma coisa talvez esteja errada nesta questão também”, afirma o administrador de empresas Sérgio Custódio.

17 de setembro de 2010

Quase metade dos idosos do país sofre de mais de uma doença crônica

17/09/2010 - 13h01
DA AGÊNCIA BRASIL

Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada nesta sexta-feira indica que quase a metade dos idosos (48,9%) do país sofre de mais de uma doença crônica, como diabetes, problemas cardiovasculares e câncer.

A Síntese de Indicadores Sociais 2009, que apresentou dados de levantamento feito em 2008, mostra que, à medida que a pessoa envelhece, maiores são as chances de contrair uma doença crônica. No subgrupo com 75 anos ou mais, a taxa é de 54%.

Entre as doenças, a hipertensão é a que mais aparece (50%) em idosos (acima de 60 anos). Dores na coluna e artrite ou reumatismo também são frequentes e atingem 35,1% e 24,2%, respectivamente, das pessoas nessa faixa etária.

"Envelhecer sem doença crônica é uma exceção, entretanto, ter a doença não significa necessariamente exclusão social. Se o idoso continua ativo da sociedade, mantendo sua autoestima, é considerado saudável pelos estudiosos", destaca o estudo.

Dessa forma, a pesquisa justifica o fato de 45,5% dos idosos terem avaliado o estado de saúde como bom ou muito bom. Segundo o levantamento, 12,6% avaliam que a saúde está ruim ou muito ruim, sendo que a maioria é formada por pretos e pardos com mais de 75 anos e renda de meio salário mínimo.

Em relação à saúde, também chama a atenção o fato de 32,5% dos idosos não terem o domicílio cadastrado em programas de saúde do governo ou não terem cobertura de planos particulares. No Rio de Janeiro, 49,1% das pessoas nessa faixa de idade estavam sem cobertura.

A pesquisa também traçou o perfil do idoso no país. Mulheres (55,8%), brancos (55,4%) e com menos de um ano de escolaridade (30,7%) são maioria. Com relação à renda, pouco menos de 12% viviam com cerca de metade de um salário mínimo e 66% estavam aposentados.

11 de setembro de 2010

Pesquisas mostram que a musculação é importante para a saúde e ajuda a emagrecer

Publicada em 10/09/2010 às 12h36m
O Globo

RIO - Levantar pesos é um exercício que tem ganhado cada vez mais respaldo científico, mas ainda são poucas as pessoas que realmente se animam para fazer musculação. Diversos estudos mostram que o impacto benéfico desta atividade física é muito maior do que se imaginava e, para certos casos, pode trazer resultados melhores do que o exercício aeróbico.

Maior queima de gordura - Um estudo feito pela Universidade de Penn State mostrou que pessoas acima do peso que começam a praticar musculação três vezes por semana queimam cerca de 40% a mais de gordura do que quando fazem a mesma quantidade de exercício aeróbico. Além disso, elas tinham mais facilidade para manter o peso depois de emagrecer os quilos desejados.

Maior gasto calórico -Parece muito bom para ser verdade, mas a ciência explica. Quem faz musculação gasta mais calorias porque o corpo precisa de mais energia para recuperar os pequenos danos nas fibras musculares causados pelo levantamento de peso. Após uma hora de musculação, o metabolismo fica mais elevado por aproximadamente 39 horas. Uma pesquisa feita pela Universidade de Maine mostra que as pessoas podem gastar até 71% a mais de calorias do que se imaginava nos exercícios com peso. Ou seja, 10 minutos de musculação, dependendo da carga, pode gastar tantas calorias quanto 10 minutos de corrida.

As roupas vão vestir melhor -
Entre os 30 e os 50 anos, as pessoas perdem cerca de 10% da massa muscular. O número chega a dobrar aos 60 anos. Quem mantém o mesmo peso acaba passando por aquela famosa troca de músculos por gordura. Resultado: as roupas vestem pior mesmo sem o ponteiro da balança subir. A musculação pode ajudar a evitar a perda de massa muscular e deixa o corpo mais definido e modelado.

Os ossos vão ficar mais fortes - Não são apenas os exercícios aeróbicos de impacto, como a corrida e a caminhada, que fortalecem os ossos. Um estudo publicado no "Journal of Applied Physiology" mostrou que, em 16 semanas, a musculação pode aumentar em 19% um hormônio que estimula a densidade óssea.

Faz bem ao cérebro - A musculação ajuda a controlar o estresse e melhora o humor, segundo um estudo publicado pela Universidade Texas A&M. Também diminui os efeitos do 'jet lag' e regula o ritmo circadiano. Outro estudo, feito na Austrália, mostra que quem levanta pesos com regularidade dorme mais e melhor. Já um estudo feito por pesquisadores brasileiros mostrou que seis meses de musculação aumentam a função cognitiva, melhorando a mémoria, o raciocínio e o foco. Um estudo feito na Inglaterra mostra que quem faz musculação fica até 15% mais tolerante com os colegas, além de aumentar o produtividade no trabalho.

A saúde agradece - Levantar peso pode diminuir o risco de derrame em 40% e de infartos em 15%. O exercício ajuda a regular a pressão, controla a glicose no sangue e pode reduzir o risco de alguns tipos de câncer.

28 de agosto de 2010

ALIENAÇÃO PARENTAL

28/08/2010 14h56 - Atualizado em 28/08/2010 18h38
Crianças são usadas pelos pais no divórcio, dizem juristas
Pais que se dizem vítimas da alienação parental contaram histórias ao G1.
Presidente sancionou lei que pune pai que tenta afastar ex-parceiro do filho.

Mariana Oliveira, Cintia Paes e Mylène Neno
Do G1, em São Paulo, em Belo Horizonte e no Rio

imprimir SAIBA MAIS SOBRE ALIENAÇÃO PARENTAL
O que é alienação parental?
A lei 12.318/2010 considera alienação parental "a interferência na formação psicológica" para que a criança "repudie genitor” ou “que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos".
O que a lei cita como exemplos de alienação parental?
- Realizar campanha de desqualificação do genitor
- Dificultar o exercício da autoridade parental
- Dificultar contato da criança ou adolescente com o genitor
- Dificultar a convivência familiar
- Omitir ao genitor informações relevantes sobre a criança ou adolescente (questões escolares ou endereço, por exemplo)
- Apresentar falsa denúncia contra o genitor para dificultar a convivência
- Mudar de domicílio sem justificativa para dificultar a convivência
O que muda caso haja constatação de alienação parental?
Se o juiz declarar indício de alienação parental a ação passa a ter tramitação prioritária e o juiz determinará medidas para preservação da integridade psicológica da criança. É preciso laudo de perito judicial ou equipe multidisciplinar que constante a alienação parental.
Quais as medidas que podem ser adotadas pelo juiz?
- Advertir o alienador
- Ampliar a convivência familiar em favor do genitor prejudicado
- Estipular multa ao alienador
- Determinar alteração para guarda compartilhada ou inverter a guarda
- Determinar a fixação do domicílio da criança ou adolescente
Nos processos de divórcio quando não há consenso, a maioria dos pais acaba usando os filhos para tentar prejudicar o ex-parceiro, segundo magistrados consultados pelo G1. Essa prática passou a ser formalmente vedada no Brasil nesta semana, quando foi sancionada a Lei da Alienação Parental.

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O texto da lei foi publicado no "Diário Oficial da União" desta sexta-feira (27) – clique aqui para ver – e altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A lei considera alienação parental "a interferência na formação psicológica" para que o filho "repudie genitor" ou "que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos".

Conforme os magistrados ouvidos, em quase todos os processos de divórcio litigiosos com filhos que tramitam na Justiça, um dos pais comete a alienação. Ela ocorre em alguns casos de forma mais leve com frases como "Seu pai atrasou o pagamento da pensão" ou "Sua mãe não deixou eu falar com você ontem" e, em outras situações, é mais grave, com falsas denúncias que acabam provocando a suspensão do convívio da criança com o pai ou a mãe.

Na avaliação da juíza Brigitte Remor de Souza May, diretora da Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude (ABMP), a maioria dos casais não consegue "isolar" a criança após a separação. "A maioria dos casais não consegue resolver e preservar a criança. Acaba fazendo comentários 'Teu pai é isso', 'Não trouxe sua roupa', 'Atrasou para chegar'. O ideal é que o casal consiga resolver seus problemas sem envolver a criança, de forma adulta. A maioria dos casais talvez não consiga."

A maioria dos casais não consegue resolver e preservar a criança. Acaba fazendo comentários 'Teu pai é isso', 'Não trouxe sua roupa', 'Atrasou para chegar'. O ideal é que o casal consiga resolver seus problemas sem envolver a criança, de forma adulta. A maioria dos casais talvez não consiga"juíza Brigitte Remor de Souza May, diretora da Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude (ABMP)O juiz Antônio Peleja Júnior, da 1ª Vara da Família e Sucessões de Rondonópolis (MT), diz que, dos processos que acompanha, em "pouquíssimos casos os pais têm maturidade de respeitar os direitos da criança". "A alienação sempre existe em menor ou maior grau. A separação deixa mágoas e pai ou mãe passa a tratar a criança como exclusividade sua. (...) Essa nova lei é importante porque descreve quais medidas o juiz deve adotar e traz mais segurança para tratar casos como esse."

Presidente da Associação de Pais e Mães Separados (Apase), Analdino Rodrigues Paulino afirmou ao G1 que a lei deixa claro que "o filho não pode ser usado como mercadoria de troca no encerramento da relação conjugal". A Apase fe o anteprojeto de lei que deu origem à proposta sancionada por Lula.

Segundo o presidente da Apase, o instituto Datafolha indica que 20 milhões de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos (um terço das pessoas nessa faixa etária no país) são filhos de pais separados. Desses 10 milhões são filhos de pais com separação litigiosa, conforme a Apase. "Esses 10 milhões sem sombra de dúvida sofrem com a alienação parental porque litígio é fogo cruzado e a criança acaba sendo usada."

Ele afirma que é mais comum que o genitor que tem a guarda cometa a alienação parental. "O mais comum de acontecer é com quem detém a guarda. Você que tem a guarda convive 26 dias no mês com a criança. Quem não tem a guarda tem um final de semana alternado, quatro dias por mês. É mais fácil alienar a criança quem fica mais tempo", diz. Segundo ele, em mais de 95% dos casos a guarda é da mãe.


Joanna, de cinco anos, morreu após ficar em coma
(Foto: Marcelo Carnaval/Agência O Globo)Casos reais
Um dos casos de maior repercussão em que a alienação parental foi foco das discussões durante a disputa judicial em relação à guarda terminou de forma trágica. A menina Joanna Cardoso Marcenal Marins, de 5 anos, morreu em 13 de agosto após ficar quase um mês internada em coma em um hospital do Rio –, os pais da criança disputavam sua guarda há mais de três anos.

A polícia investiga a hipótese de a criança ter sofrido maus-tratos. A mãe acusou o pai de maus tratos na Justiça, mas ele negou.

De acordo com a juíza Cláudia Nascimento Vieira, da 1ª Vara de Família de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, os estudos psicológicos realizados no processo da menina Joanna apontaram que houve alienação parental e concluíram pela "necessidade de restabelecer com urgência o convívio da criança com o pai por curto período, sem a interferência da mãe". Além disso, ainda segundo a magistrada, nada questionava a permanência da menina com o pai.

Na avaliação da magistrada, que lamentou a morte da menina, se os alegados maus-tratos por parte do pai forem confirmados, será uma "surpresa", pois "até o momento, não havia prova disto nos autos do processo que tramita neste Juízo de Família". Ela não quis dar mais detalhes sobre o processo porque ele corre em segredo de Justiça.

Em Belo Horizonte, e um professor e suas duas ex-mulheres disputam a guarda das filhas na Justiça. O pai entrou com ação de guarda compartilhada das duas filhas com a primeira ex-mulher e pede a guarda permanente da filha do segundo casamento. Nos dois casos, a alegação do homem é a alienação parental.

"Eu acho que, infelizmente, a Justiça é muito machista. A mulher tem sempre preferência. A mãe tem sempre preferência. E por ela ter preferência, acaba fazendo o que ela quer. E acabam usando as crianças contra os maridos. Lógico que não são todas as mães assim. Existem casos de pais que fazem isso, mas o que prevalece são as mães. Nós temos que mudar essa história de visita, de o pai ter direito a visita. O pai tem que ter direito à participação. Ele não pode ser o pagador de alimento", diz o professor.

A primeira ex-mulher diz que, na verdade, foi o ex-marido que abandonou as filhas, uma delas com três meses de vida. Ela diz que é o marido que tenta colocar as filhas contra ela. "Ele pega a gente (a ex-mulher) por tabela. Ele nos atinge pelas crianças. A minha filha mais velha voltava do fim de semana com muita raiva de mim".

Sobre a segunda ex-mulher, o professor alega que ela mudou de cidade e levou a filha deles sem permissão. A mulher diz ter provas contra o ex-marido de alienação parental. “Depois que eu resolvi separar do meu marido, levei uma cartilha sobre alienação parental para a escola da minha filha e, lendo, percebi que ele estava seguindo a cartilha à risca. Ela ficou com ódio de mim do nada. Não gostava da minha família, dizia que eu não tinha dinheiro. Tudo o que o pai mandava ela falar”, diz.

Os processos sobre a guarda das três filhas serão analisados, na semana que vem, no Fórum Lafayette.


Vara da família no Fórum João Mendes em São
Paulo (Foto: Mariana Oliveira / G1)Falsas denúncias
De acordo com os especialistas ouvidos pelo G1, o pior estágio da alienação parental é a falsa denúncia de abuso sexual.

O desembargador Caetano Lagrasta, presidente da Coordenadoria de Projetos Especiais e Acompanhamento Legislativo do Tribunal de Justiça de São Paulo, considera a falsa denúncia como "diabólica". "A questão diabólica é mesmo a da falsa denuncia, quando o alienador acusa o outro de sevícias físicas ou de abuso sexual, pois, em geral, a denúncia é seguida de pedido de afastamento imediato do pai à criança ou adolescente, sem contar o linchamento civil que se segue", afirma o magistrado, que defende inclusive que o alienador que chegar a esse estágio seja preso sob alegação de tortura. "Nestes casos fica evidente que o alienador tortura e a tortura é crime previsto constitucionalmente, logo, a prisão do alienador-torturador deve ser aplicada."

A prisão como pena para alienação parental foi vetada pelo presidente.

De acordo com o senador Magno Malta (PR-ES), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia no Senado, a situação é mais comum do que se imagina. Ele disse ao G1 que, por conta disso, incluirá a alienação parental no relatório final da comissão. "De cada 10 denúncias de pedofilia envolvendo pais separados que chegaram à comissão, seis ou sete são crimes de alienação parental. A pessoa quer se vingar e faz a denúncia. Essa é a estatística de casos que chegaram a minha mão. É uma grande irresponsabilidade. Falsa comunicação de crime é crime." O relatório final da CPI da Pedofilia deve ser apresentado em novembro.

Um veterinário do estado do Mato Grosso contou ter sido alvo de falsa denúncia de abuso. "Me separei e minha filha tinha dois anos. Desde então passei a ter dificuldade de convívio com minha filha. Minha ex-mulher inventou um curso em outro estado e levou ela. Quando eu casei de novo, foi o estopim para ela articular contra mim. Usou a parte mais sombria da alienação parental e me acusou de ter ensinado a minha filha a se masturbar. Não teve receio de expor a filha, foi a delegacia várias vezes. De repente recebi a denúncia que ela fez e o juiz, em vez de determinar o afastamento, determinou visitas monitoradas."

De cada 10 denúncias de pedofilia envolvendo pais separados que chegaram à comissão, seis ou sete são crimes de alienação parental. A pessoa quer se vingar e faz a denúncia. Essa é a estatística de casos que chegaram a minha mão. É uma grande irresponsabilidade"Senador Magno Malta, presidente da CPI da Pedofilia no SenadoO veterinário disse que chegou a ficar preso por três dias. "Ela apresentou um laudo particular que mostrava que tinha havido abuso. O delegado apreendeu meu computador, viu vídeos meus com minha família e entendeu que aquilo não procedia. Ele me liberou. Em julho houve uma sentença de que eu era inocente da acusação. Minha sentença cita 24 jurisprudências de alienação parental." A reportagem do G1 teve acesso à sentença. O veterinário afirmou que agora tenta regulamentar as visitas.

Uma enfermeira do Rio também afirmou à reportagem ter sido vítima de alienação parental. Ela conta que quando a filha tinha 11 anos, se separou do marido, que era advogado. Ele acabou obtendo a guarda provisória da criança. "Em pouco tempo ela não me chamava mais de mãe, não queria mais me ver. Ele trocou de cidade e no apartamento em que ela mora hoje, ela é emancipada, tem 17 anos e mora sozinha, tem uma foto minha para o porteiro não me deixar entrar. Ela cresceu e está estudando direito. Está começando a perceber que tem algo errado."

A enfermeira disse que estou direito e passou a participar de discussões sobre alienação parental. "A gente acaba ouvindo casos horríveis. Tem pai que deixa a criança ficar decepcionada com o outro. Fala que vai encontrar o pai no restaurante, mas não tem nada combinado. A criança chega e não tem ninguém lá. É muita maldade."

O juiz Homero Maion, da 6ª Vara de Família de São Paulo, disse que somente em sua vara estão em andamento 2.600 processos, a maioria de divórcio. Ele conta que, para evitar injustiças, sempre que há indícios de alienação parental, o setor de psicologia judiciária é acionado. "A lei surgiu porque existe um número grande de casos para esse tipo de denúncia. E os psicólogos conseguem detectar quando alguém não está falando a verdade. O mais importante desta lei é o efeito psicológico, alerta o pai que não percebe que está fazendo isso ou não sabe que isso é proibido."

4 de agosto de 2010

Homens associam câncer de próstata à perda da virilidade.

11/06/2010 - 08h01
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

De acordo com uma pesquisa realizada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da USP), publicada no site da universidade, os homens maduros associam o câncer de próstata à perda da virilidade e da identidade masculina.

Realizado pela psicóloga Ana Cristina Vieira, com orientação do professor Marcos Francisco Dall'Oglio, da FMUSP, o estudou ainda levantou que os problemas geram sofrimento emocional e familiar.

A pesquisa avaliou 52 pacientes com diagnóstico de câncer de próstata encaminhados para tratamento cirúrgico há, no mínimo, seis meses. A média de idade dos avaliados era de 66 anos e 94% deles afirmaram ter vida sexual ativa.

A psicóloga entrevistou os pacientes a fim de entender quais eram as representações e fantasias relacionadas à doença, à vida afetiva e sexual. Constatou-se que a qualidade de vida altera-se desde o momento do diagnóstico e que tais mudanças relacionam-se a questões do gênero masculino.

Durante a pesquisa, verificou-se que 60% dos pacientes já apresentavam disfunção erétil antes do diagnóstico de câncer de próstata, mas não tinham queixas significativas dos efeitos em sua vida sexual.

O estudo ainda levantou que há muita desinformação sobre a doença, o que se agrava pelo fato do câncer de próstata ser assintomático quando em fase inicial. Ele é associado à disfunção erétil e a cirurgia é encarada como um obstáculo para a vida sexual, concluiu Vieira.

O diagnóstico causa sofrimento e dificuldades para manter um relacionamento afetivo e sexual, além de uma vida profissional e outras atividades cotidiana.

"Há um grande temor entre os homens da perda de sua identidade masculina e da própria vida", afirma a pesquisadora. "Poucos pacientes tem informações sobre os recursos para tratar o câncer de próstata e as sequelas decorrentes do próprio tratamento, como eventuais
problemas na função erétil."

A psicóloga ressalta que o câncer de próstata é a quarta causa de morte de homens com mais de 50 anos no Brasil, e que as conclusões do estudo reforçam a necessidade de um atendimento multidisciplinar que permita o diagnóstico e o tratamento precoce, o que aumenta as chances de cura.

Alguns homens devem repensar tratamento para câncer de próstata, sugere estudo.

04/08/2010 - 08h04
RONI CARYN RABIN
DO "THE NEW YORK TIMES"

Muitos homens diagnosticados com câncer de próstata recebem tratamento intensivo, como cirurgia ou radioterapia, mesmo que o câncer não tenha muita probabilidade de se espalhar ou ser fatal, conforme aponta um novo estudo.

Os pesquisadores usaram dados de um amplo registro de câncer para analisar os perfis de risco e padrões de tratamento de 123.934 homens cujos casos foram diagnosticados entre 2004 e 2006.

Em 14% dos novos casos, cerca de um em cada sete, os homens apresentaram níveis baixos do antígeno específico da próstata, de acordo com o artigo publicado na edição de 26 de julho do "Archives of Internal Medicine".

Esses pacientes tiveram menos probabilidade de apresentar tumores que cresceram rapidamente, e mais da metade era uma doença de baixo risco. Mesmo assim, eles tiveram a mesma probabilidade de receber tratamento intensivo do que os pacientes com antígeno específico da próstata mais alto.

A maioria mais de 75% -- ou passou por uma cirurgia ou tratamento com radiação, de acordo com o estudo. Os tratamentos podem ter sérios efeitos colaterais, incluindo incontinência e disfunção erétil.

Alguns desses homens poderiam ter se beneficiado de uma abordagem mais conservadora, como serem monitorados de perto com testes regulares de antígeno específico da próstata e exames retais, disse Mark N. Stein, professor assistente do Instituto do Câncer de Nova Jersey e um dos autores do artigo.

"Precisamos descobrir se podemos lidar com esses casos de uma forma mais conservadora para alguns homens", disse Stein.

3 de agosto de 2010

Pouco carboidrato é melhor para colesterol bom do que baixo teor de gordura.

03/08/2010 - 16h31 | da Folha.com

A longo prazo, uma dieta com pouco carboidrato funciona tão bem quanto uma dieta com baixo teor de gordura para perder peso e ainda pode ser melhor para o coração, sugere uma nova pesquisa.

Ambas as dietas melhoraram o colesterol em um estudo de dois anos que incluiu acompanhamento intensivo em grupo. Mas aqueles que fizeram a dieta de baixo carboidrato obtiveram um grande impulso no chamado colesterol bom, quase duas vezes maior do que quem fez a de baixo teor de gordura.

Em estudos anteriores, as dietas com pouco carboidrato se saíram melhor na perda de peso em seis meses, mas os resultados a longo prazo se alternaram. Além disso, houve uma sugestão de que comer pouco carboidrato melhora o colesterol.

O último teste realizado foi um dos mais longos para comparar as abordagens. Ao final de dois anos, a perda de peso foi o mesmo para ambos - cerca de 7 kg ou 7%. A principal diferença foi no HDL (bom colesterol): um aumento de 23% na dieta com pouco carboidrato comparado a uma melhoria de 12% após a de baixo teor de gordura, afirmou Gary Foster, diretor do Centro de Pesquisa da Obesidade e Educação, da Temple University, que liderou o estudo financiado pelo governo federal.

"Para uma dieta, isso é bastante impressionante", disse Foster. Os resultados, publicados no Tuesday's Annals of Internal Medicine, são baseadas no estudo com 307 adultos, dois terços deles mulheres. Os participantes eram obesos, mas não apresentavam problemas de colesterol ou diabetes.

Metade seguiu uma dieta de pouco carboidrato elaborada após o plano de Atkins, e a outra metade fez uma dieta de baixa caloria e baixo teor de gordura. Todas as sessões do grupo foram para ajudá-los a mudar maus hábitos alimentares, a ser mais ativos e a manter a dieta.

Os voluntários tiveram verificações periódicas de peso, sangue, densidade óssea e composição corporal. Após dois anos, não houve diferenças significativas entre os grupos de dieta, exceto no bom colesterol. Segundo os pesquisadores, não é conhecido o motivo pelo qual a dieta do baixo carboidrato teve um maior efeito sobre o colesterol bom.

Como os planos de pouco carboidrato se tornaram populares, os especialistas temiam que a dieta elevaria o risco de doença cardíaca, pois permite mais gordura. Os resultados mais recentes sugerem que essas preocupações são infundadas, de acordo com Foster.

No início, houve um aumento do colesterol ruim - do tipo que se acumula nas artérias - no grupo do carboidrato. Mas depois de dois anos, os dois grupos acabaram com melhorias semelhantes ao colesterol ruim.

"Estes são resultados em que devemos confiar", disse Yancy, que realizou uma pesquisa semelhante, mas não esteve envolvido no estudo.

Foster, o líder do estudo, disse que as pessoas devem se preocupar menos com qual dieta seguir, e se concentrar em encontrar apoio ou técnica - como escrever o que eles comem - que os mantenha na trilha.

"Não faz diferença para a perda de peso como você chega lá", disse ele. Com a atual epidemia de obesidade, mais do que a forma é necessário atacar o problema, disse Yancy. "As duas dietas funcionam e podem ser uma opção", disse ele.

Saiba como vencer preguiça do inverno e não abandonar malhação.

03/08/2010 - 17h05 | da Folha.com

Tão certo quanto a noção de que as temperaturas médias serão mais baixas é saber que, no inverno, as salas das academias ficarão mais vazias. O movimento costuma cair cerca de 20%, segundo a Acad (Associação Brasileira de Academias).

Este ano, a coisa está um pouquinho pior. "Tivemos uma sequência de muitas chuvas, semanas de frio muito intenso, Copa do Mundo e férias escolares. Um inverno negro", diz Claudio Silva, presidente da Acad. Treinador solitário em academia da rua Augusta, em São Paulo; táticas ajudam a não abandonar atividades.

Agora, quando pelo menos uma parte disso já passou, o duro é trocar o cobertor pela esteira. Quanto mais faltamos aos treinos, mais motivos encontramos para não voltar à atividade.

Vale a pena fazer um esforço para não deixar a musculatura cair. "Se você fica mais de um mês parado, vai precisar de uns três para voltar ao nível de condicionamento anterior", alerta Silva.

É também um investimento mais seguro para quem sonha com um corpo bonito para o próximo verão. "Começar em dezembro para alcançar os resultados em janeiro não é viável e aumenta o risco de lesões", afirma Markus Najas, do Núcleo de Pesquisa em Atividade Física da Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo ele, as primeiras seis semanas servem principalmente para o organismo se adaptar à atividade, e não para alcançar resultados.

Para Daniel Almeida, professor da academia Century, a principal causa do abandono é mesmo a preguiça. "As pessoas têm menos disposição e bate aquela preguiça de sair do quentinho para encarar o treino", diz.

AULAS AVULSAS

Tentar manter o mínimo de atividades, mesmo que em ritmo menor, é o conselho de Claudio Silva. "Fazer pelo menos duas aulas por semana e aumentar a atividade no dia a dia, andando mais a pé, por exemplo, já ajuda."

Outra dica dele é mudar o tipo de treino. "Como atualmente a grade de atividades nas academias é muito variada, experimentar uma aula nova estimula o aluno a não parar de se exercitar. "Uma boa ideia é fazer aulas avulsas para descobrir as modalidades que parecem mais prazerosas, mesmo que, para isso, o treino habitual seja deixado de lado por algum tempo.

As aulas coletivas também ajudam a espantar a preguiça. Além do calor humano, a música e o estímulo do professor dão mais ânimo para trocar o chocolate quente pela malhação. A vantagem da troca aparece na balança. Segundo João Salles, membro do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, quem interrompe uma atividade física e mantém um hábito alimentar semelhante ao que tinha antes tende a ganhar peso.

CRISE DE INVERNO

Pensar nas consequências -ganho de peso, perda de condicionamento- não deixa de ser uma estratégia para superar a crise de inatividade típica do inverno. O que funcionar está valendo. Tem academia oferecendo até programa de milhagem para incentivar os alunos: a cada atividade realizada, o aluno recebe "milhas" para concorrer a sorteios de viagens. Há dias em que é preciso mesmo muitos argumentos para sair do cobertor.

TRUQUES PARA NÃO JOGAR A TOALHA NOS DIAS DE FRIO

HORÁRIO
Se o frio do começo da manhã ou da noite causar preguiça, procure treinar em horários alternativos ao longo do dia.

AO AR LIVRE
Cuidado com exercícios no final da manhã ou começo da tarde, período de maior concentração de ozônio, gás nocivo à saúde. Evite também locais muito poluídos, perto de grandes avenidas, por exemplo.

TEMPO SECO
O desgaste físico é maior quando o ar está seco e a inversão térmica forma uma nuvem de poluentes nada saudável. Uma boa hidratação é fundamental.

AQUECIMENTO
Dê um tempo maior para essa etapa do treino, já que o corpo demora mais a aquecer nessa época do ano. Com o corpo "quente", há menos risco de lesões musculares.

ROUPA
Em corridas na rua, deixe o peito coberto para evitar doenças respiratórias. Jaquetas de náilon não são recomendadas, porque prejudicam a evaporação da água transpirada.

NOVAS AULAS
Se a piscina é pouco convidativa, confira o menu de atividades da academia e escolha outra atividade aeróbica. Aulas coletivas costumam ser mais estimulantes.

BANHO
Treinar em horário e local que permitem tomar banho em casa pode ser uma vantagem para quem não quer sair no frio após um banho quente.

FORÇA DE VONTADE
É a principal aliada para manter-se firme nos exercícios. É melhor reduzir o ritmo do que parar totalmente.

30 de julho de 2010

Dez benefícios do sexo para a saúde.

Manter relações sexuais frequentes pode trazer inúmeros benefícios para a saúde. Diversos estudos indicam que o sexo pode ajudar a aliviar o estresse, melhora a qualidade do sono, protege o sistema imunológico e afasta o risco de certos tipos de câncer. Confira abaixo os dez maiores benefícios da vida sexual ativa para a saúde:

Diminui o estresse - Um dos grandes benefícios do sexo é seu efeito na pressão arterial e na diminuição do hormônio cortisol, que fica elevado em situações estressantes, indica um estudo escocês publicado na revista 'Biological Psychology'. O levantamento mostrou que aqueles que fazem sexo antes de algum evento importante, como uma apresentação no trabalho, têm um desempenho melhor.

Aumenta a imunidade - Uma vida sexual ativa aumenta os níveis de um anticorpo conhecido como IgA, que protege o corpo de infecções como as gripes e os resfriados. Basta fazer sexo uma ou duas vezes na semana para ter o benefício, mostra um estudo feito pela Wilkes University, nos Estados Unidos.

Queima calorias - Faltou a academia? Opte pelo plano B. Trinta minutos de sexo queimam 85 calorias, em média. Para a sexóloga Patti Britton, presidente da Associação Americana de Educadores e Terapeutas Sexuais, as relações sexuais podem ser uma ótima forma de gastar calorias extras.

Aumenta a intimidade no relacionamento - Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh mostraram que os casais que têm mais contato físico são também os mais felizes. O motivo é a ocitocina, também conhecido como o hormônio do amor, que aumenta a empatia e a generosidade.

Melhora o sono - A ocitocina, que é liberada durante o orgasmo, também é um excelente sonífero.

Diminui a dor - Os hormônios liberados durante o sexo, entre eles as endorfinas, podem aliviar as dores de cabeça, da artrite e da TPM, indica um estudo publicado no 'Bulletin of Experimental Biology and Medicine'. Após a relação sexual, podemos ficar até 50% mais resistentes à dor.

Protege o coração - Pessoas mais velhas podem achar que uma sessão mais quente pode aumentar o risco de derrames, mas isto raramente é o caso, comprovaram pesquisadores na Inglaterra. O estudo, publicado no 'Journal of Epidemiology and Community Health', mostrou que não há relação entre os dois. Eles comprovaram também que manter relações uma ou das vezes por semana pode diminuir o risco de infartos pela metade.

Fortalece os músculos pélvicos - Um benefício inesperado do sexo é que ele pode evitar a incontinência na terceira idade, principalmente entre as mulheres.

Reduz o risco de câncer de próstata - Ejaculações frequentes, principalmente nos homens mais jovens, podem proteger contra os tumores na glândula após os 50 anos. Neste caso, o ideal é fazer sexo ao menos cinco vezes por semana para reduzir o risco de câncer por um terço. O estudo foi publicado no 'Journal of the American Medical Association'.

Melhora a autoestima - A autoconfiança aumenta naqueles que praticam sexo pelo menos uma vez por semana, mostra um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Texas, nos EUA, publicado no 'Archives of Sexual Behavior'.

27 de julho de 2010

Homens com câncer de próstata de baixo risco passam por tratamentos agressivos sem necessidade.

Mais de 40% dos que estavam abaixo do padrão para biópsia tiveram a próstata removida, mostra pesquisa.

27 de julho de 2010 | 18h 45

CHICAGO - Muitos homens com câncer de próstata de baixo risco passam por tratamentos agressivos, aumentando o risco de efeitos colaterais graves, segundo pesquisadores americanos.

Os cientistas disseram que mais de 40% dos homens que estavam abaixo do padrão atual para fazer uma biópsia tiveram a próstata removida por meio de cirurgia, e um terço fazia radioterapia.

Eles argumentam que esforços para reduzir o limite do que é considerado anormal em testes de câncer de próstata aumentariam significativamente o número de homens com tumores que nunca iriam prejudicá-los e são tratados além do necessário.

"O enorme avanço na sobrevida tem sido atribuído à detecção precoce e ao tratamento", segundo escreveram Yu-Hsuan Shao, do Instituto de Câncer de Nova Jersey, e colegas na revista Archives of Internal Medicine. "No entanto, tem havido preocupações sobre um potencial diagnóstico exacerbado de câncer de próstata localizado."

Um estudo americano publicado no ano passado constatou que exames de próstata de rotina resultaram em mais de 1 milhão de homens diagnosticados com tumores que poderiam não sofrer efeitos adversos por causa disso.

O teste de câncer da próstata é mais frequentemente feito com exame de sangue que mede as concentrações sanguíneas de antígeno prostático específico ou PSA, uma proteína produzida na próstata que se torna elevada em homens com câncer. Geralmente, uma leitura de 4 nanogramas por mililitro é considerada normal. Mas em um grande estudo, o câncer de próstata foi diagnosticada em 15,2% dos homens com nível de PSA igual ou inferior a 4 nanogramas por mililitro, ou cerca de 2,4% do total.

Shao e seus colegas estudaram as práticas de tratamento entre 124 mil homens no grupo de baixo risco que foram diagnosticados com câncer de próstata entre 2004 e 2006. Nos homens com valores de PSA de 4 nanogramas por mililitro ou menores - o limite atual para obter uma biópsia -, 44% tiveram a próstata removida e 33% recebiam tratamento de radiação.

"Apesar do menor risco de uma doença clinicamente significativa, as taxas de tratamento para homens com valores de PSA de 4 nanogramas por mililitro ou menores foram comparáveis aos dos homens que apresentam valores de PSA entre 4 e 20 nanogramas por mililitro", escreveram Shao e os colegas. Eles estimam que a redução do limiar de tratamento de 4 para 2,5 nanogramas por mililitro dobraria o número de homens considerados com níveis anormais de PSA, o que chegaria 6 milhões de pessoas.
E eles estimam que 82,5%, ou 1,9 milhão desses homens receberiam um tratamento agressivo, apesar de apenas 2,4% terem câncer de alto grau.

"Esses resultados destacam o fato de que o nível de PSA, atual biomarcador, não é uma base suficiente para as decisões de tratamento". Os pesquisadores disseram que, sem uma tecnologia que permita aos médicos distinguir um câncer agressivo de um leve, reduzindo o limiar da biópsia, "pode haver o aumento do risco de diagnóstico e tratamento excessivos".

O câncer de próstata é o segundo câncer mais comum em homens depois do câncer de pulmão, matando cerca de 254 mil homens por ano em todo o mundo. O diagnóstico em excesso pode levar a tratamentos como cirurgia, radioterapia e terapia hormonal que causam sérios efeitos colaterais, como impotência e incontinência urinária.

26 de julho de 2010

Mulheres usam gritos e sussuros para controlar o parceiro durante o sexo, mostra estudo.

Publicada em 26/07/2010 às 17h48m
O Globo

Estudo publicado na "Archives of Sexual Behavior" revela que os aparentemente incontroláveis gritos e sussurros das mulheres durante o orgasmo são, na verdade, um jogo de cena para manipular os homens.

Os cientistas Gayle Brewer, da Universidade de Central Lancashire, e Colin Hendrie, da Universidade de Leeds, fizeram um estudo sobre o tema com 71 mulheres (com idades que variavam dos 18 aos 48 anos). Eles separaram as vocalizações de prazer sexual em diversas categorias, que incluiam "silêncio", "gemidos", "gritos", "palavras e expressões" (como o nome do parceiro) ou "comandos" (como "não para". Eles também perguntaram as mulheres envolvidas no estudo por que elas emitiam determinados sons, em que ponto chegavam ao orgasmo, se chegavam mesmo ao orgasmo, e, se não chegavam, por que todos os ruidos.

A conclusão, segundo Brewer, é que as mulheres fazem as vocalizações de forma consciente com o objetivo de influenciar seu parceiro, e não como uma expressão direta de grande excitação sexual. Não se trata necessariamente de algo interesseiro ou ruim, explicam os especialistas.

Por exemplo, "mulheres dizem usar essas vocalizações para apressar a ejaculação do parceiro quando estão entediadas, cansadas, com algum desconforto ou sem tempo", diz Brewer. Na maioria das vezes, elas estão tentando ser legais.

"É importante notar que 92% das participantes sentiam que tais vocalizações aumentavam a auto-estima do parceiro", sustenta o estudo. "E 87% delas diziam lançar mão do expediente com esse propósito."Em outras palavras, os sons emitidos não se tratam da expressão vocal de uma excitação fora de controle. Na verdade, quando as mulheres estão muito excitadas, durante o sexo oral, por exemplo, ou quando estão realmente perto de ter um orgasmo, os gritos não são comuns.

E, é claro, como bem provou Meg Ryan na famosa cena do filme "Harry e Sally", as mulheres podem usar a voz para fingir um orgasmo. No levantamento, mais de 25% das mulheres admitiram usar as vocalizações para fingir um orgasmo. E elas fariam isso em 90% dos casos em que percebem que não vão chegar lá. Segundo os cientistas, elas fariam isso porque, muitos homens, esperam pelo orgasmo feminino.

18 de julho de 2010

O prazer delas ficou importante. Para eles.

Uma pesquisa sobre comportamento sexual masculino sugere que eles mudaram. Mas ainda mentem sobre seu desempenho.
Fernanda Colavitti

QUALIDADE
O empresário Evandro Gomes, em um shopping de São Paulo. Ele confirma: os homens já se importam menos com quantidade Para o empresário paulistano Evandro Gomes dos Santos, de 25 anos, satisfação sexual está ligada mais à qualidade da relação sexual do que à quantidade de parceiras. Para que uma transa seja boa, afirma, é fundamental que a mulher também fique satisfeita. “Não me importava com isso, mas, de tanto ouvir reclamações sobre homens egoístas na cama, percebi que precisava mudar.” O discurso de Evandro está afinado com o da maioria dos 3.026 homens ouvidos em uma pesquisa sobre comportamento sexual masculino realizada no mês passado em cinco capitais brasileiras pela Sociedade Brasileira de Urologia – em parceria com o laboratório Bayer Schering Pharma. Questionados sobre o que consideram mais importante em relação ao sexo, a qualidade da relação sexual e a satisfação da parceira ficaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares de uma lista com seis itens (leia o quadro). Em primeiro lugar, claro, ficou a própria satisfação.

Os especialistas dizem que o resultado desse levantamento aponta mudanças importantes no comportamento masculino. A sexóloga Carla Cecarello, que coordenou a pesquisa, diz que é nova essa preocupação com a satisfação da parceira. Mas que não se trata de altruísmo. “Se ele consegue satisfazer a mulher, isso contribuiu para reafirmar sua virilidade”, diz ela. Trata-se, também, de uma adaptação ao novo mercado sexual. Os especialistas são unânimes em apontar as exigências femininas como o principal motor da mudança na atitude dos homens. O sociólogo Dario Caldas, organizador do livro Homens – Comportamento, identidade, crise, vaidade, lembra que as transformações do papel feminino durante o século XX modificaram a relação das mulheres com seu corpo. Elas passaram a fazer sexo por prazer. E a exigir prazer. A experiência do cirurgião vascular Carlos Araújo, especialista em disfunção erétil, corrobora essa teoria. Ele diz que metade das consultas em seu consultório é marcada pelas parceiras dos pacientes, que acompanham de perto o tratamento. “As mulheres não se contentam mais em satisfazer o companheiro e ficar insatisfeitas”, diz ele.

Outra mudança de comportamento revelada pela pesquisa é a maior disposição masculina em discutir a própria vida sexual. Ao contrário das mulheres, os homens só falavam do assunto para contar vantagens. Agora, mais de 64% dos entrevistados dizem discutir abertamente sua intimidade. “Achei significativo tantos homens se dizerem dispostos a falar desse assunto com liberdade. Isso sinaliza que o tema está deixando de ser tabu”, afirma Dario Caldas. O sociólogo adverte, porém, que nem tudo o que os homens falam sobre sexo deve ser levado ao pé da letra. “Eles fantasiam”, afirma. Em outra palavra, mentem. A mentira mais comum é sobre a frequência das relações sexuais. “Eles dizem aquilo que acham que a sociedade espera deles”, afirma Caldas.

Esse tipo de atitude defensiva se insinua nos resultados da pesquisa: 61,7% dos entrevistados disseram transar de duas a quatro vezes por semana. E 31% acham que “o ideal” é transar mais de cinco vezes na semana. Exagero? Provavelmente. Numa pesquisa nacional realizada no ano passado pelo Instituto Datafolha, 23% dos entrevistados disseram não ter feito sexo entre janeiro e setembro de 2009...

O urologista Archimedes Nardozza Jr., presidente do braço paulista da Sociedade Brasileira de Urologia, descobriu outra informação dúbia. Mais de 81% dos entrevistados disseram nunca ter tido problemas de “disfunção erétil”. Mas os dados nacionais, segundo o médico, sugerem que metade da população masculina já teve dificuldade de ereção alguma vez na vida. “Isso eles não admitem nem para os médicos”, afirma Nardozza Jr.

Por que tamanha negação? É ainda o medo de parecer menos macho. A sexóloga Carla Cecarello diz que, para a maioria dos homens brasileiros, admitir alguma dificuldade relacionada à ereção ainda equivale a assumir que não é “homem o suficiente” – uma obsessão marcante entre os povos latinos. Carla diz que os americanos têm uma visão do prazer na qual homem e mulher são corresponsáveis pela satisfação na cama. Na cultura asiática – por comparação –, a responsabilidade recai sobre a mulher: ela tem a obrigação de satisfazer o parceiro. Para os latinos, porém, o homem é quem tem de se mostrar o tal. O paulistano Evandro concorda: “Temos de ser fortes e infalíveis. Quem sai dessas regras está fora do jogo”. E ele, já saiu alguma vez? “Se eu saísse, não teria problema em admitir.” A pesquisa sugere que a maioria não funciona assim.

Perguntas e respostas da pesquisa:

Frequencia sexual declarada:
Duas a quatro vezes por semana - 61,7%
Uma vez por semana - 19,43%
Cinco ou mais vezes por semana - 15,93%
Não responderam - 2,94%

Frequencia sexual desejada:
Duas a quatro vezes por semana - 59,09%
Cinco ou mais vezes por semana - 31,06%
Uma vez por semana - 7%
Não responderam - 2,85%

O que consideram importante:
A própria satisfação - 46,6%
Qualidade da relação sexual - 43,33%
Satisfação da parceira - 33,93%
Tempo de ereção - 20,52%
Quantidade de relações sexuais - 18,71%
Quantidade de parceiras - 13,49%

Com quem falam sobre sexo:
Amigos - 41,39%
Parceira - 31,09%
Médico - 9,36%
Família - 8,37%
Não falo sobre isso - 8,01%
Não responderam - 1,78%

Já tiveram problema de disfunção erétil:
Sim - 81,36%
Não - 13,22%
Não responderam - 5,42%

Satisfação com a vida sexual:
Satisfeitos - 86,95%
Insatisfeitos - 11,04%
Não responderam - 2,01%

7 de julho de 2010

Senado aprova projeto de lei que pune quem difama pai e mãe para os filhos

07/07/2010 - 13h31

GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou nesta quarta-feira projeto de lei que pune pais e mães separados que trabalham para desconstruir a imagem do ex-parceiro para os filhos --conhecida como alienação parental. Por unanimidade, os senadores aprovaram o projeto que tipifica a prática na legislação brasileira.

Projeto de lei pune quem difama pais para os filhos

Atualmente, não há na lei nenhuma referência à alienação parental. Com a mudança, pais e mães separados ficam proibidos de prejudicar a imagem que o filho tem do ex-parceiro ou mesmo difamar o seu ex-cônjuge.

"O projeto vai impedir que essas práticas continuem. Quando uma separação não é bem aceita, não pode se reverter em algo nocivo para os filhos", disse o presidente da CCJ, senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

O projeto, além de criar a figura legal da alienação, descreve em detalhes as suas manifestações --como dificultar o acesso à criança e omitir informações do filho ao genitor. O texto também estabelece punições ao alienador que vão de multa e advertência à inversão da guarda da criança, passando pela determinação de acompanhamento psicológico .

Como o texto foi aprovado em caráter terminativo na comissão, sem a necessidade de ser votado em plenário, o texto segue para sanção presidencial --se nenhum parlamentar apresentar recurso no prazo de cinco dias para votação em plenário. O projeto já havia sido aprovado na Câmara.

Integrante da ONG Apase (Associação de Pais e Mães Separados), Analdino Paulino comemorou a aprovação da matéria ao lado da filha de 14 anos. "A gente viveu isso na pele, trabalhamos no andamento desse projeto. Sabemos que outros pais e crianças não vão sofrer o mesmo problema. Os casais vão ter responsabilidade para resolver os problemas com harmonia", disse.

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Livro de homem que chegou a pesar 200kg ensina como emagrecer sem dieta ou rotina puxada de exercícios.

Publicada em 07/07/2010 às 09h27m
Maria Vianna

RIO - Com quase 200 quilos, o economista Jon Gabriel vivia sempre exausto e doente. Por causa dos quilos a mais, não conseguiu embarcar no voo 93 da American Airlines, um dos aviões que derrubaram as Torres Gêmeas, e teve uma nova oportunidade para viver. A experiência de quase morte foi o impulso para que ele, que tinha começado a fazer dietas na adolescência, gasto milhares de dólares em consultas com o Dr. Atkins e estava completamente viciado em açúcar, mudasse seus hábitos de vez.

Gabriel começou a estudar bioquímica e associou suas descobertas a outras técnicas, como a visualização e o autoconhecimento. Nascia assim o 'método Gabriel', programa que virou livro e que o ajudou a emagrecer mais de 100 quilos. Em entrevista ao site do Globo, ele explica a fórmula do sucesso.

O que difere seu método dos outros disponíveis no mercado?
Acho que a principal diferença é que quase todos os métodos de emagrecimento focam em comer menos e se exercitar mais, e param por aí. Existe aquela lógica de que gastar mais calorias do que você ingere automaticamente gera um emagrecimento. Isso é verdade, mas só até certo ponto. Por isso que acredito que dietas restritivas não funcionam. É difícil manter o peso perdido, e só contar calorias ou malhar um pouco mais não é a resposta. No 'método Gabriel', levamos em consideração todos os motivos que fizeram a pessoa engordar e que dificultam sua perda de peso. Quase sempre, uma pessoa não é gorda só porque ela come demais. Mas é muito difícil fazer a associação de outros problemas da vida com o ganho de peso.

Qual foi sua principal motivação para emagrecer?
Eu estava horrível, fisicamente e psicologicamente. Acho que o que me motivou mais foi o quanto eu me sentia mal. Aquele excesso de peso estava empacando a minha vida, me sentia completamente travado. Nada na minha vida - trabalho, relacionamentos, amizades - estava indo bem. Esse sentimento horrível, sem dúvida, foi o que mais me motivou.

Por que algumas pessoas conseguem manter a perda de peso e outras voltam a engordar?
Primeiro é preciso entender todos os motivos por que aquela pessoa não emagrece, e esses motivos costumam ser os mais variados. Se o motivo pelo qual a pessoa 'se apega' ao excesso de peso é forte, será difícil incentivá-la a emagrecer. Quando uma pessoa está emocionalmente pronta para perder peso, ela geralmente consegue se livrar dos quilos a mais.

Como chegar a este ponto?
No livro, ofereço várias dicas e questionamentos que levam a esta reflexão. São passos que ajudam a tornar o autoconhecimento mais fácil e, por consequência, facilitam a eliminação dos quilos extras. Pode parecer radical, mas acredito que se uma pessoa não está bem emocionalmente, não vai conseguir emagrecer.

É possível dizer que se uma pessoa engorda, ela está 'desconectada' de suas emoções?
Pelo contrário. Acho que a maioria das pessoas que luta contra o excesso de peso está excessivamente ligada a certos sentimentos. Por exemplo, ela pode se sentir fracassada em alguns aspectos da vida, até mesmo no aspecto do emagrecimento, e se rotular de perdedora. Só que ela tem que entender que o problema está na estratégia, não nela mesma. Os relacionamentos costumam se refletir na balança. Muitas pessoas com problemas sérios de relacionamento acabam obesas. Inconscientemente, elas ganham um novo problema, o peso, para esquecer do outro temporariamente.

Os exercícios são importantes?
Claro. Seu organismo não quer ser gordo, ele quer se mexer e ter saúde. No livro, ensino as pessoas a se exercitarem com mais eficiência. De nada adianta ficar andando por horas, em um ritmo super lento, ou se matando na esteira. Algumas mudanças durante a prática de exercícios, como intercalar velocidades ou pesos, estimulam respostas fisiológicas que fazem seu corpo gastar mais calorias em menos tempo. Depois de um tempo, você vai ver que o corpo vai pedir mais exercícios para se sentir melhor.

Muitas pessoas reclamam que malham e nunca veem resultados. Por quê?
Bom, primeiro é preciso estar psicologicamente preparado para emagrecer. Poucas pessoas, quando se matriculam em uma academia ou começam a correr na praia, estão com essa mentalidade. E se a mente não estiver pronta, os resultados físicos serão limitados. Se a mente não está pronta, a malhação será apenas mais uma forma de estresse. O estresse é um dos grandes vilões do ganho de peso. Ou seja, a atividade física será um tiro no pé. Outras vezes, a pessoa exagera e acaba malhando demais. O overtraining gera outro tipo de estresse no organismo e provavelmente vai estancar a perda de peso.

6 de julho de 2010

Homens mais velhos que usam Viagra têm maior risco de contrair DSTs.

Crescimento de divórcios, melhoria da saúde masculina e sexo sem prevenção seriam as causas.
06 de julho de 2010 / 17h 05

Reuters
WASHINGTON - Estudo publicado no Annals of Internal Medicine mostra que homens mais velhos que usam remédios contra impotência sexual, como o Viagra, tem duas vezes mais risco de contrair Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) em comparação com os que não usam esses medicamentos.

Em ambos os grupos, porém, os números têm aumentado. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, havia mais de seis novos casos de DSTs a cada 10 mil homens acima de 40 anos em 2008, quase 50% a mais que em 1996.

"Adultos mais jovens têm mais doenças sexualmente transmissíveis que os mais velhos, mas as taxas estão crescendo muito entre os mais velhos", disse Anupam B. Jena, do Massachusetts General Hospital, em Boston, que conduziu o estudo.

Embora as razões para esse crescimento não estão bem compreendidas, o maior número de divórcios e a melhoria da saúde masculina podem ter ajudado a aumentar o vigor e a atividade sexual entre os homens mais velhos.

O problema, porém, é que os adultos mais velhos parecem abrir mão do sexo seguro. Por exemplo, segundo os pesquisadores, homens na faixa dos 50 anos têm seis vezes menos probabilidade de usar preservativo que os jovens de 20 anos.

"As pessoas normalmente estão desacostumadas a praticar sexo seguro acima dos 50, porque o risco de gravidez é eliminada", afirmou Jena.

Para testar se a introdução do Viagra, em 1998, pode explicar alguns dos picos de DST, Jena e os colegas examinaram registros de mais de 1,4 milhão de homens americanos acima dos 40 anos. A idade média no estudo foi de aproximadamente 60 anos.

A DST mais comum encontrada pelo estudo foi o vírus HIV, seguido por clamídia, sífilis e gonorreia.

Entre a baixa porcentagem de homens que tinham prescrições de medicamentos contra disfunção erétil, mais de dois a cada mil tinham sido tratados de alguma DST no ano anterior ao qual começaram a tomar o remédio.

Um ano depois, o número caiu pela metade, o que sugere que o Viagra e seus "primos" químicos não estimularam doenças sexualmente transmissíveis.

No entanto, o risco de contrair uma DST se revelou por ser mais que o dobro em homens que tomam medicamentos para disfunção erétil em comparação com aqueles que não o fizeram.

"Esses usuários têm um perfil de risco sexual diferente dos não-usuários", disse Jena, acrescentando que os dados não revelam uma boa explicação para isso.

Em um editorial, o dr. Thomas Fekete, da Temple University School of Medicine, na Filadélfia, constatou que teria sido útil saber mais sobre a frequência dos encontros sexuais, parceiros e orientação desses homens.

Ele acrescentou que estratégias de prevenção devem ainda ser dirigidas aos grupos etários mais jovens, cujo risco de DST é pelo menos 10 vezes superior do que em adultos de meia-idade e idosos.

Ainda assim, os autores da pesquisa lembram que "os homens com mais de 40 anos permanecem sexualmente ativos, mesmo se precisar de ajuda química para fazê-lo. Esse estudo também serve como um lembrete de que o sexo após os 40 anos não é necessariamente seguro".

Jena recomendou que os médicos tirem alguns minutos para discutir sexo seguro com homens mais velhos quando prescreverem o Viagra.

ENTREVISTA DA VEJA COM O CIRURGIÃO CARDÍACO TURCO e CIDADÃO AMERICANO DR. MEHMET OZ.

São Paulo - 04.12.2007

A especialidade do cirurgião cardíaco turco e cidadão americano Mehmet Oz, de 47 anos, é retardar ao máximo os efeitos da idade em seus pacientes. Diretor do Programa de Medicina Integrada da Universidade Colúmbia, em Nova York, ele é consultor da famosa clínica antienvelhecimento do médico Michael Roizen, criador do conceito de que é possível manter o organismo mais jovem do que aponta a idade cronológica. Oz e Roizen também assinam a quatro mãos uma série de livros desucesso que ensinam como manter um estilo de vida que adia a velhice. O mais recente deles, You Staying Young (Você Sempre Jovem), lançado há um mês nos Estados Unidos, já vendeu meio milhão de exemplares.
Nos últimos quatro anos, Oz se tornou uma celebridade ao participar de um quadro fixo no programa de TV da apresentadora Oprah Winfrey. Ele também apresenta documentários no Discovery Channel. Nos dois casos,
dá dicas aos telespectadores sobre como viver mais com boa saúde. Esse é justamente o tema da entrevista que ele deu a VEJA.

BREVE BIOGRAFIA DO DR.OZ


Dr. Mehmet Oz nasceu em Cleveland, Ohio (EUA), dos pais turcos. Ele é
csado e pai de quatro filhos. Ele se formou da Harvard Univesity em 1982, depois fez mestrado e MBA na Universidade de Pennsylvania.

Ele é autor de mais de 350 publicações e vários livros. Em maio de 2005 estava na lista de New York Times Bestseller. Alguns livros e publicações dele junto com o colega Michael F. Roizen são:


ENTREVISTA DA VEJA

Veja
- Existe uma fórmula para se manter jovem por mais tempo?
Oz
- Sim. Há catorze agentes principais envolvidos no envelhecimento. Sete retardam o processo, como os antioxidantes, e sete nos enfraquecem, como a atrofia muscular. É preciso manter esses agentes sob controle. O primeiro passo para alcançar esse objetivo é pensar não na possibilidade de ficar doente, mas na necessidade de manter o organismo saudável. Deve-se tirar o foco da prevenção dos males e direcioná-lo para a preservação da saúde. Se ninguém mais morresse de câncer e de doenças cardiovasculares, a expectativa de vida média do ser humano subiria apenas nove anos. Isso mostra que, para aumentar consideravelmente a expectativa de vida, não basta evitar doenças. É preciso cuidar do corpo para que ele não enfraqueça. Quando uma pessoa envelhece, doenças potencialmente fatais, como o câncer e o infarto, não aparecem de imediato. Antes que elas se instalem, o corpo torna-se mais frágil e vulnerável.

Veja
- O que fazer para evitar que o corpo se torne frágil e vulnerável?
Oz
- Meu novo livro, You Staying Young (Você Sempre Jovem, ainda sem previsão de lançamento no Brasil), trata exatamente desse tema. Os exercícios físicos são uma ferramenta essencial. Eles combatem o primeiro sinal do envelhecimento, que é a perda de força muscular. Outros recursos importantes são alimentar-se bem e meditar. Uma boa recomendação é a prática do tai chi chuan, exercício oriental que combina equilíbrio, coordenação motora e também meditação.
Se todos adotassem essas medidas, a vida média da população poderia subir para 110 anos. Quanto à alimentação, não podem faltar nutrientes como o resveratrol da uva e o licopeno do tomate, que são poderosos antioxidantes. O principal, mas também o mais difícil, é controlar a quantidade dos alimentos. De qualquer forma, todo mundo deve comer um pouco menos do que tem vontade.

Veja
- Fazer várias pequenas refeições por dia, como recomendam alguns médicos, faz bem para a saúde?
Oz
- Deve-se comer de três em três horas. Se o intervalo é maior, a taxa de hormônio grelina, que estimula a fome, começa a subir. O problema é que, após uma refeição, ainda demora trinta minutos para que a taxa desse hormônio volte a baixar. Em conseqüência disso, acaba-se comendo mais do que se deveria. O mais importante, além de comer alguma coisa a cada três horas, é trocar as refeições grandes por pequenas,
intercaladas por lanchinhos. Esse conceito não foi criado por mim. É o que mostram as pesquisas científicas.

Veja
- O que o senhor considera refeições grandes e pequenas?
Oz
- Uma refeição grande ultrapassa 1 000 calorias. Uma pequena tem no máximo, 500. Quem consome por volta de 2 000 calorias diárias pode fazer duas refeições de 300 calorias cada uma e outra maior, de até 800. Os lanchinhos podem ter até 250 calorias.

Veja - O que deve ficar de fora do cardápio?
Oz
- Existe uma regrinha fácil de ser usada, a regra dos cinco. Para isso, é preciso examinar o rótulo dos alimentos. Cinco ingredientes não podem estar entre os primeiros listados no rótulo. São eles: gorduras saturadas, gorduras trans, açúcar simples, açúcar invertido e farinha de trigo enriquecida. Dois desses nutrientes são gorduras, dois são açúcares. Os dois tipos de gordura podem estimular processos inflamatórios no fígado que forçam a produção de substâncias deletérias, como o colesterol. Também fazem com que o fígado fique menos sensível à insulina, aumentando o risco de diabetes. Os açúcares listados fazem mal por estimular a produção de insulina, o que aumenta o depósito de gordura corporal. O pior é que esses cinco itens são os mais comuns nas dietas atuais.

Veja
- O cardápio básico do brasileiro, composto de arroz, feijão, carne e salada, é saudável?
Oz
- A princípio, sim. Esse cardápio contém exatamente os nutrientes para os quais a digestão humana está preparada. Mas os brasileiros comem carnes muito gordas, o que é errado... Antigamente, no mundo inteiro, quando os métodos de criação do gado eram mais simples, a porcentagem de gordura dos melhores cortes da carne bovina era, em média, de 4%. Hoje é de 30%. Outro problema dos hábitos alimentares do brasileiro é que ele come arroz em excesso, o que não traz nenhum benefício. Melhor seria adotar o arroz integral. Os alimentos integrais têm mais fibras, o que os mantém mais tempo no intestino e diminui a absorção de açúcar pelo organismo. Uma vantagem dos brasileiros é ter à disposição enorme variedade de frutas e vegetais maravilhosos, por preço razoável.

Veja
- Os hábitos que o senhor propõe para prolongar a vida são relativamente simples, mas exigem controle estrito sobre as atividades do dia-a-dia. Como exercer esse controle?
Oz
- A palavra-chave é automatizar. Ou seja, fazer desses hábitos uma rotina, sem precisar pensar muito neles. Acordar, escovar os dentes e passar o fio dental, para reduzir a quantidade de bactérias prejudiciais à saúde. Beber muito líquido ao longo do dia, principalmente água e chá verde. Dormir ao menos sete horas por noite. Durante o sono se produz o hormônio do crescimento, essencial mesmo para quem já é adulto, pois prolonga a juventude. Caminhar meia hora por dia e praticar exercícios que façam suar três vezes por semana. Meditar cinco minutos diariamente, o que pode estar embutido na prática de ioga ou tai chi chuan. Evitar alimentos que estejam na regra dos cinco, que mencionei anteriormente. Uma última coisa: estreitar o relacionamento com as pessoas próximas e abster-se de julgá-las. Em vez de julgar os outros, é melhor tomar conta de si próprio.

Veja
- Abster-se de julgar os outros ajuda a manter a juventude?
Oz
- Sim, da mesma forma que resolver situações de conflito. O conflito não traz nada de positivo. É apenas desgastante. Costumo recomendar a meus pacientes que procurem as pessoas com quem mantêm uma relação de animosidade e tentem resolver o impasse. Essa é uma atitude para o bem-estar próprio. Não há nada de altruísta nela. É uma atitude egoísta.

Veja
- O que o senhor acha das dietas para emagrecer que surgem e viram
moda a cada seis meses?
Oz
- Essas dietas fazem sucesso, mas são péssimas para a saúde. A alimentação não deve ser encarada como uma maratona para a perda de peso. Uma dieta que tenha como chamariz o emagrecimento rápido não é confiável. Comer menos do que o corpo necessita é uma agressão à fisiologia. Ou seja, aos processos químicos que fazem o organismo funcionar. Quando a fisiologia é desprezada, os resultados das dietas são transitórios.

Veja
- Por que o senhor recomenda cuidados com o jantar?
Oz
- Na verdade, há uma única regra a observar: deve-se jantar pelo menos três horas antes de dormir. Deitar logo após a refeição facilita o acúmulo de gordura, principalmente na cintura. Além disso, comer muito tarde prejudica o sono.

Veja
- O senhor recomenda beber muita água durante o dia. Quanto se deve beber exatamente?
Oz
- Deve-se beber uma quantidade suficiente para que a urina esteja sempre clara. Isso varia de um dia para o outro. Em dias quentes, sua-se muito e, por isso, é preciso beber mais água. Para quem não abre mão da cafeína, sugiro chá verde. Em lugar de quatro cafezinhos por dia, beba quatro copos de chá verde. Essa bebida concentra muitos antioxidantes e nutrientes bons para a saúde.

Veja
- Muitos ambientalistas condenam o consumo de água engarrafada.
Do ponto de vista da saúde, ela é melhor que a água da torneira?
Oz
- Eu acho um erro beber água engarrafada. Há dois problemas principais com ela. O primeiro é que, se a garrafa plástica não for reciclada, pode contaminar os mares e os rios. Isso prejudica o meio ambiente e, indiretamente, a saúde. O plástico das embalagens vai parar nos peixes que comemos. O resultado é que 97% das pessoas apresentam resíduos de plástico no organismo, o que interfere no sistema hormonal. Esses resíduos estimulam os receptores de estrogênio, o hormônio feminino. Em excesso, o estrogênio pode causar câncer e outros problemas. As toxinas contidas no plástico também aceleram o envelhecimento. O segundo problema é que, como a água engarrafada não apresenta vantagens com relação à água da torneira, trata-se de um desperdício de dinheiro.

Veja
- O senhor recomenda exercícios físicos que provoquem suor. Exercícios leves são inúteis?
Oz
- Essas recomendações visam à saúde cardiovascular. Para essa finalidade, apenas os exercícios moderados ou intensos, que fazem suar, apresentam benefícios. Mas os exercícios suaves e de baixo impacto têm valor. Mesmo a caminhada movimenta grandes músculos, como os das coxas e dos quadris, que consomem muita energia. Como o gasto
calórico muscular é maior durante o exercício, a queima de calorias aumenta.

Veja
- Os suplementos vitamínicos são criticados em muitos estudos
científicos. O que o senhor acha deles?
Oz
- Eles são eficazes, mas prometem mais do que cumprem. Na verdade, os médicos saem da faculdade sem conhecimentos suficientes sobre os suplementos e são forçados a tirar suas próprias conclusões. De modo geral, uma suplementação só é necessária quando as vitaminas não são obtidas naturalmente com a alimentação. Por outro lado, acredito que determinadas vitaminas podem melhorar a qualidade de vida e a longevidade. Entre elas estão as vitaminas A, B, C, D e E, além de cálcio, magnésio, selênio e zinco. A vitamina D é importantíssima, pois previne câncer e osteoporose. Principalmente nos países mais frios, onde a exposição solar é restrita, os suplementos são essenciais.

Veja
- Além dos procedimentos já descritos nesta entrevista, o que mais o
senhor faz para adiar o envelhecimento?
Oz
- Minha receita principal de juventude é brincar com meus filhos. Também procuro descobrir coisas novas todos os dias. Aprendo ao conversar com os outros e, apesar de ser muito assediado para responder a perguntas, por causa de minha atuação na TV, prefiro perguntar, saber como é a vida das pessoas, como elas trabalham. Isso faz minha mente exercitar-se.

Veja
- Nos últimos anos, o aperfeiçoamento do tratamento clínico fez cair o número de cirurgias cardíacas. Essa é uma tendência em outras especialidades médicas além da cardiologia?
Oz
- Sem dúvida. Os recursos clínicos tornaram-se mais eficazes tanto para a prevenção de doenças quanto para seu tratamento. Por isso, assim como na cardiologia, a cirurgia deixou de ser a primeira opção em outras áreas. Há poucos anos, quando o paciente machucava o joelho, ia direto para a sala de operação. Agora, ele vai para a sala de fisioterapia. Essa tendência também é evidente nos casos de diverticulite, uma inflamação do intestino, que passou a ser tratada com o consumo de fibras. O mesmo acontece com pacientes que apresentam doença arterial obstrutiva periférica. Antes eles iam para a faca. Agora, recebem como orientação deixar de fumar e caminhar. Mesmo que sintam dor num primeiro momento, essa é uma maneira de estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos para substituir os danificados..

Veja
- O senhor já esteve no Brasil. Como foi sua experiência no país?
Oz
- Visitei o Brasil há muitos anos, quando ainda era estudante de medicina. Fui ao Rio de Janeiro e conheci o doutor Ivo Pitanguy. Também fiquei deslumbrado com as frutas brasileiras e com as lojas de sucos. Elas misturam frutas e outros vegetais, uma combinação pouco convencional. Conheci o açaí, que até hoje está no meu cardápio. Compro açaí em Nova York mesmo. É um dos alimentos com maior concentração de antioxidantes. Planejo voltar ao Brasil em meados do ano que vem para
gravar um programa. Quero muito ir à Amazônia e conhecer as plantas medicinais da região.

ENTREVISTA DA VEJA COM O CIRURGIÃO CARDÍACO TURCO e CIDADÃO AMERICANO DR. MEHMET OZ.

- São Paulo - 04.12.2007

A especialidade do cirurgião cardíaco turco e cidadão americano Mehmet Oz, de 47 anos, é retardar ao máximo os efeitos da idade em seus pacientes. Diretor do Programa de Medicina Integrada da Universidade Colúmbia, em Nova York, ele é consultor da famosa clínica antienvelhecimento do médico Michael Roizen, criador do conceito de que é possível manter o organismo mais jovem do que aponta a idade cronológica. Oz e Roizen também assinam a quatro mãos uma série de livros desucesso que ensinam como manter um estilo de vida que adia a velhice. O mais recente deles, You Staying Young (Você Sempre Jovem), lançado há um mês nos Estados Unidos, já vendeu meio milhão de exemplares.
Nos últimos quatro anos, Oz se tornou uma celebridade ao participar de um quadro fixo no programa de TV da apresentadora Oprah Winfrey. Ele também apresenta documentários no Discovery Channel. Nos dois casos,
dá dicas aos telespectadores sobre como viver mais com boa saúde. Esse é justamente o tema da entrevista que ele deu a VEJA.

BREVE BIOGRAFIA DO DR.OZ


Dr. Mehmet Oz nasceu em Cleveland, Ohio (EUA), dos pais turcos. Ele é
csado e pai de quatro filhos. Ele se formou da Harvard Univesity em 1982, depois fez mestrado e MBA na Universidade de Pennsylvania.

Ele é autor de mais de 350 publicações e vários livros. Em maio de 2005 estava na lista de New York Times Bestseller. Alguns livros e publicações dele junto com o colega Michael F. Roizen são:


ENTREVISTA DA VEJA

Veja
- Existe uma fórmula para se manter jovem por mais tempo?

Oz
- Sim.
Há catorze agentes principais envolvidos no envelhecimento. Sete
retardam o processo, como os antioxidantes, e sete nos enfraquecem, como a atrofia muscular. É preciso manter esses agentes sob controle. O primeiro passo para alcançar esse objetivo é pensar não na possibilidade
de ficar doente, mas na necessidade de manter o organismo saudável. Deve-se tirar o foco da prevenção dos males e direcioná-lo para a preservação da saúde.
Se ninguém mais morresse de câncer e de doenças cardiovasculares, a expectativa de vida média do ser humano subiria apenas nove anos. Isso mostra que, para aumentar consideravelmente a expectativa de vida, não basta evitar doenças. É preciso cuidar do corpo para que ele não enfraqueça. Quando uma pessoa envelhece, doenças potencialmente fatais, como o câncer e o infarto, não aparecem de imediato. Antes que elas se instalem, o corpo torna-se mais frágil e vulnerável.

Veja
- O que fazer para evitar que o corpo se torne frágil e vulnerável?

Oz
- Meu novo livro, You Staying Young (Você Sempre Jovem, ainda sem
previsão de lançamento no Brasil), trata exatamente desse tema..
Os exercícios físicos são uma ferramenta essencial. Eles combatem o primeiro sinal do envelhecimento, que é a perda de força muscular. Outros recursos importantes são alimentar-se bem e meditar. Uma boa recomendação é a prática do tai chi chuan, exercício oriental que combina equilíbrio, coordenação motora e também meditação.
Se todos adotassem essas medidas, a vida média da população poderia subir para 110 anos. Quanto à alimentação, não podem faltar nutrientes como o resveratrol da uva e o licopeno do tomate, que são poderosos
antioxidantes. O principal, mas também o mais difícil, é controlar a quantidade dos alimentos. De qualquer forma, todo mundo deve comer um
pouco menos do que tem vontade.

Veja
- Fazer várias pequenas refeições por dia, como recomendam alguns médicos, faz bem para a saúde?

Oz
- Deve-se comer de três em três horas. Se o intervalo é maior, a taxa de hormônio grelina, que estimula a fome, começa a subir. O problema é que, após uma refeição, ainda demora trinta minutos para que a taxa desse hormônio volte a baixar. Em conseqüência disso, acaba-se comendo mais do que se deveria. O mais importante, além de comer alguma coisa a cada três horas, é trocar as refeições grandes por pequenas,
intercaladas por lanchinhos. Esse conceito não foi criado por mim. É o que mostram as pesquisas científicas.

Veja
- O que o senhor considera refeições grandes e pequenas?

Oz
- Uma refeição grande ultrapassa 1 000 calorias. Uma pequena tem,
no máximo, 500. Quem consome por volta de 2 000 calorias diárias pode fazer duas refeições de 300 calorias cada uma e outra maior, de até 800. Os lanchinhos podem ter até 250 calorias.

Veja - O que deve ficar de fora do cardápio?

Oz
- Existe uma regrinha fácil de ser usada, a regra dos cinco. Para isso, é
preciso examinar o rótulo dos alimentos. Cinco ingredientes não podem estar entre os primeiros listados no rótulo.
São eles: gorduras saturadas, gorduras trans, açúcar simples, açúcar invertido e farinha de trigo enriquecida. Dois desses nutrientes são gorduras, dois são açúcares. Os dois tipos de gordura podem estimular processos inflamatórios no fígado que forçam a produção de substâncias
deletérias, como o colesterol. Também fazem com que o fígado fique menos sensível à insulina, aumentando o risco de diabetes. Os açúcares listados fazem mal por estimular a produção de insulina, o que aumenta o depósito de gordura corporal. O pior é que esses cinco itens são os mais comuns nas dietas atuais.

Veja
- O cardápio básico do brasileiro, composto de arroz, feijão, carne e salada, é saudável?

Oz
- A princípio, sim. Esse cardápio contém exatamente os nutrientes para os quais a digestão humana está preparada. Mas os brasileiros comem carnes muito gordas, o que é errado... Antigamente, no mundo inteiro, quando os métodos de criação do gado eram mais simples, a porcentagem de gordura dos melhores cortes da carne bovina era, em média, de 4%. Hoje é de 30%. Outro problema dos hábitos alimentares do brasileiro é que ele come arroz em excesso, o que não traz nenhum benefício. Melhor seria adotar o arroz integral. Os alimentos integrais têm mais fibras, o que os mantém mais tempo no intestino e diminui a absorção de açúcar pelo organismo. Uma vantagem dos brasileiros é ter à disposição enorme variedade de frutas e vegetais maravilhosos, por preço razoável.

Veja
- Os hábitos que o senhor propõe para prolongar a vida são relativamente simples, mas exigem controle estrito sobre as atividades do dia-a-dia. Como exercer esse controle?

Oz
- A palavra-chave é automatizar. Ou seja, fazer desses hábitos uma rotina, sem precisar pensar muito neles. Acordar, escovar os dentes e passar o fio dental, para reduzir a quantidade de bactérias prejudiciais à saúde. Beber muito líquido ao longo do dia, principalmente água e chá verde. Dormir ao menos sete horas por noite. Durante o sono se produz o
hormônio do crescimento, essencial mesmo para quem já é adulto, pois prolonga a juventude. Caminhar meia hora por dia e praticar exercícios que façam suar três vezes por semana. Meditar cinco minutos diariamente, o que pode estar embutido na prática de ioga ou tai chi chuan. Evitar alimentos que estejam na regra dos cinco, que mencionei anteriormente. Uma última coisa: estreitar o relacionamento com as pessoas próximas e abster-se de julgá-las. Em vez de julgar os outros, é melhor tomar conta de si próprio.

Veja
- Abster-se de julgar os outros ajuda a manter a juventude?

Oz
- Sim, da mesma forma que resolver situações de conflito. O conflito não traz nada de positivo. É apenas desgastante. Costumo recomendar a meus pacientes que procurem as pessoas com quem mantêm uma relação de animosidade e tentem resolver o impasse. Essa é uma atitude para o bem-estar próprio. Não há nada de altruísta nela. É uma atitude egoísta.

Veja
- O que o senhor acha das dietas para emagrecer que surgem e viram
moda a cada seis meses?

Oz
- Essas dietas fazem sucesso, mas são péssimas para a saúde.
A alimentação não deve ser encarada como uma maratona para a perda de peso. Uma dieta que tenha como chamariz o emagrecimento rápido não é confiável. Comer menos do que o corpo necessita é uma agressão à fisiologia. Ou seja, aos processos químicos que fazem o organismo funcionar. Quando a fisiologia é desprezada, os resultados das dietas são transitórios.

Veja
- Por que o senhor recomenda cuidados com o jantar?

Oz
- Na verdade, há uma única regra a observar: deve-se jantar pelo menos três horas antes de dormir. Deitar logo após a refeição facilita o acúmulo de gordura, principalmente na cintura. Além disso, comer muito tarde prejudica o sono.

Veja
- O senhor recomenda beber muita água durante o dia. Quanto se deve
beber exatamente?

Oz
- Deve-se beber uma quantidade suficiente para que a urina esteja sempre clara. Isso varia de um dia para o outro. Em dias quentes, sua-se muito e, por isso, é preciso beber mais água. Para quem não abre mão da cafeína, sugiro chá verde. Em lugar de quatro cafezinhos por dia, beba quatro copos de chá verde. Essa bebida concentra muitos antioxidantes e nutrientes bons para a saúde.

Veja
- Muitos ambientalistas condenam o consumo de água engarrafada.
Do ponto de vista da saúde, ela é melhor que a água da torneira?

Oz
- Eu acho um erro beber água engarrafada. Há dois problemas principais com ela. O primeiro é que, se a garrafa plástica não for reciclada, pode contaminar os mares e os rios. Isso prejudica o meio ambiente e, indiretamente, a saúde.. O plástico das embalagens vai parar nos peixes que comemos. O resultado é que 97% das pessoas apresentam resíduos de plástico no organismo, o que interfere no sistema hormonal. Esses > resíduos estimulam os receptores de estrogênio, o hormônio feminino. Em excesso, o estrogênio pode causar câncer e outros problemas. As toxinas contidas no plástico também aceleram o envelhecimento. O segundo problema é que, como a água engarrafada não apresenta vantagens com relação à água da torneira, trata-se de um desperdício de dinheiro..

Veja
- O senhor recomenda exercícios físicos que provoquem suor.
Exercícios leves são inúteis?

Oz
- Essas recomendações visam à saúde cardiovascular. Para essa
finalidade, apenas os exercícios moderados ou intensos, que fazem suar, apresentam benefícios. Mas os exercícios suaves e de baixo impacto têm valor. Mesmo a caminhada movimenta grandes músculos, como os das coxas e dos quadris, que consomem muita energia. Como o gasto
calórico muscular é maior durante o exercício, a queima de calorias aumenta.

Veja
- Os suplementos vitamínicos são criticados em muitos estudos
científicos. O que o senhor acha deles?

Oz
- Eles são eficazes, mas prometem mais do que cumprem. Na verdade, os médicos saem da faculdade sem conhecimentos suficientes sobre os suplementos e são forçados a tirar suas próprias conclusões. De modo geral, uma suplementação só é necessária quando as vitaminas não
são obtidas naturalmente com a alimentação.
Por outro lado, acredito que determinadas vitaminas podem melhorar a qualidade de vida e a longevidade. Entre elas estão as vitaminas A, B, C, D e E, além de cálcio, magnésio, selênio e zinco. A vitamina D é importantíssima, pois previne câncer e osteoporose. Principalmente
nos países mais frios, onde a exposição solar é restrita, os suplementos são essenciais.

Veja
- Além dos procedimentos já descritos nesta entrevista, o que mais o
senhor faz para adiar o envelhecimento?

Oz
- Minha receita principal de juventude é brincar com meus filhos. Também procuro descobrir coisas novas todos os dias. Aprendo ao conversar
com os outros e, apesar de ser muito assediado para responder a perguntas, por causa de minha atuação na TV, prefiro perguntar, saber como é a vida das pessoas, como elas trabalham. Isso faz minha mente
exercitar-se.

Veja
- Nos últimos anos, o aperfeiçoamento do tratamento clínico fez cair o número de cirurgias cardíacas. Essa é uma tendência em outras especialidades médicas além da cardiologia?

Oz
- Sem dúvida. Os recursos clínicos tornaram-se mais eficazes tanto para a prevenção de doenças quanto para seu tratamento. Por isso, assim como na cardiologia, a cirurgia deixou de ser a primeira opção em outras áreas. Há poucos anos, quando o paciente machucava o joelho, ia direto para a sala de operação. Agora, ele vai para a sala de fisioterapia.
Essa tendência também é evidente nos casos de diverticulite, uma
inflamação do intestino, que passou a ser tratada com o consumo de fibras. O mesmo acontece com pacientes que apresentam doença arterial obstrutiva periférica. Antes eles iam para a faca. Agora, recebem como
orientação deixar de fumar e caminhar. Mesmo que sintam dor num primeiro momento, essa é uma maneira de estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos para substituir os danificados..

Veja
- O senhor já esteve no Brasil. Como foi sua experiência no país?

Oz
- Visitei o Brasil há muitos anos, quando ainda era estudante de
medicina. Fui ao Rio de Janeiro e conheci o doutor Ivo Pitanguy. Também
fiquei deslumbrado com as frutas brasileiras e com as lojas de sucos. Elas misturam frutas e outros vegetais, uma combinação pouco convencional. Conheci o açaí, que até hoje está no meu cardápio. Compro açaí em Nova
York mesmo. É um dos alimentos com maior concentração de antioxidantes. Planejo voltar ao Brasil em meados do ano que vem para
gravar um programa. Quero muito ir à Amazônia e conhecer as plantas medicinais da região.

4 de julho de 2010

Medicamento para ovulação é testado contra "menopausa masculina".

04/07/2010-10h33

FERNANDA BASSETTE
DE SÃO PAULO

Médicos urologistas estão testando um remédio feminino, usado para induzir a ovulação, no tratamento da andropausa, a chamada menopausa masculina. A andropausa é caracterizado pela queda drástica dos níveis de testosterona nos homens com mais de 40 anos, o que provoca, entre outros efeitos, queda na libido e dificuldades de ereção.

O tratamento padrão é feito com a reposição hormonal. Mas, segundo o urologista Celso Gromatzky, há dois anos estudos têm demonstrado benefícios no uso do medicamento feminino. "É uma boa opção de tratamento, especialmente para homens com histórico de doença cardíaca", diz. Leia abaixo trechos da entrevista que Gromatzky concedeu à Folha.

Folha - Há uma tendência de prescrever reposição hormonal para homens acima de 40 anos indiscriminadamente?
Celso Gromatzky - Há uma tendência forte de aumentar a indicação de reposição para homens com queda da testosterona. Não porque a doença tenha aumentado, mas porque hoje se conhece melhor o problema.

O que é andropausa?
Gromatzky - É uma deficiência hormonal que atinge cerca de 15% dos homens a partir dos 40 anos. A testosterona vai caindo lentamente com a idade, mas só 15% deles vão obter valores abaixo do normal. Ou seja, 85% dos homens terão níveis absolutamente normais durante a vida toda. Isso diferencia de forma muito clara a condição do homem e da mulher.

Então a andropausa é considerada uma doença? Gromatzky - Sim. A menopausa ocorre naturalmente em todas as mulheres. Mas a falta de hormônio não é parte do processo natural de envelhecimento masculino. Não sabemos por que esses 15% têm o problema.

E quais são os principais sintomas?
Gromatzky - Cai a libido, a qualidade da ereção piora e pode haver um prejuízo na intensidade do orgasmo.

Quais são os outros impactos na saúde?
Gromatzky - A falta de testosterona tende a causar pele seca e unhas quebradiças. Também causa a perda da massa muscular e pode favorecer o acúmulo de gordura na região abdominal. Já no sistema nervoso central, diminui memória, concentração, provoca perda da motivação e uma tendência à depressão. Aumenta o risco de osteoporose e fraturas.

Esses sintomas não se confundem com depressão?
Gromatzky - Sim. Para fazer o diagnóstico, o homem precisa ter o hormônio abaixo do nível normal associado a três ou mais sintomas.

Pode acontecer de o hormônio estar baixo e o homem não ter sintomas?
Gromatzky - Pode, e isso não caracteriza a andropausa. E, se ele tem sintomas, mas a dosagem do hormônio está normal, também não.

O diagnóstico é feito com um exame de sangue?
Gromatzky - Sim. A testosterona é uma molécula que percorre o sangue em três formas: uma delas é a testosterona livre, a fração que atua nos órgãos alvo. A outra é ligada à globulina SHBG, e a terceira, à albumina. O exame de sangue dosa a testosterona total, que é a soma dessas três formas, mas existe uma fórmula para calcular só a testosterona livre -que causa sintomas.

A reposição hormonal, então, é indicada apenas para esses homens?
Gromatzky - Exatamente. Expor um homem com os níveis normais à aplicação de testosterona sintética traz consequências. Uma delas é a diminuição da produção de espermatozoides. A outra é o aumento da viscosidade do sangue, que pode causar derrame ou infarto.

Existe um controle ou ainda há homens que fazem reposição sem necessidade?
Gromatzky - O uso indiscriminado de testosterona é um erro médico. Tanto que ela é um medicamento de controle especial.

Existe alguma novidade no tratamento?
Gromatzky - O tratamento é feito com hormônios sintéticos, aplicados por injeção intramuscular. Mas, nos últimos dois anos, alguns trabalhos demonstraram que o citrato de clomifênio, indicado para induzir a ovulação em mulheres, estimularia a fabricação de testosterona.

Essa medicação é usada aqui com essa finalidade?
Gromatzky - Sim, ainda na forma "off-label" [quando o médico recomenda um remédio para um uso não indicado na bula]. As experiências são positivas. É um caminho para pacientes que não podem receber hormônio.

Quem são esses pacientes?
Gromatzky - Aqueles que já sofreram um derrame ou infarto. Eles não podem correr o risco de aumentar a viscosidade do sangue. Mas deixo claro que é uma alternativa não consagrada.

A reposição é por tempo determinado?
Gromatzky - Não. Uma vez estabelecido o diagnóstico, é pouco provável que esse homem volte a fabricar testosterona naturalmente. Teoricamente, ele terá que fazer a reposição pelo resto da vida. Por isso é preciso muito critério para propor o tratamento.

===================================

COMO O REMEDIO FEMININO AGE NO CORPO MASCULINO:
A Testosterona é o hormonio masculino responsavel pelas caracteristicas sexuais do homem. É tambem responsavel pela produção de esperma pelos testículos. Seus niveis normais são: de 300 a 1000 ng/dl.
Sintomas da andropausa: diminuição da libido, dificuldade de ereção, menor volume da ejaculação, perda da massa muscular, aumento da gordura corporal, osteoporose, cansaço, indisposição e preguiça, diminuição da memória e da concentração, insônia, mau-humor e depressão.
1) o citrato de clomifeno atua na hipófise estimulando a produção dos hormonios LH e FSH.
2) na mulher o LH e o FSH atuam nos ovários estimulando a ovulação.
3) nos homens o LH e o FSH atuam nos testiculos sendo que o FSH aumenta a produção de espermatozóides e o LH aumenta a produção de testosterona fazendo com que ela volte aos níveis normais.

===============================================

A reposição hormonal com injeções de testosterona bloqueia a ação da hipofise pelo seu mecanismo de feed-back, diminuindo a liberação de LH e FSH pela hipofise.
Os beneficios da reposição hormonal com a testosterona são o aumento da massa muscular, melhora da libido e das ereções, melhora da disposição fisica, diminuição da preguiça e da irritabilidade, aumento da massa óssea.
Os riscos da reposição hormonal com a testosterona são: o aumento da viscosidade do sangue favorecendo risco de trombose e doenças cardiovasculares, aumento do volume das mamas, maior risco de doenças hepaticas, atrofia dos testiculos e infertilidade.

Hipertensos não sabem relacionar sal e sódio nos rótulos dos alimentos.

Pesquisa realizada por um instituto de cardiologia com 1,3 mil pessoas mostra que 93% não conseguem calcular a quantidade de sal com base na de sódio. Consumo recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de 6 g por dia, ou seja, uma colher de chá

04 de julho de 2010 | 0h 00
Karina Toledo - O Estado de S.Paulo

Reduzir o sal na dieta é a primeira recomendação que um portador de hipertensão recebe do médico. Mas uma pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia com 1.294 hipertensos mostrou que 93% deles não sabem fazer a relação entre o sal e o sódio descrito nas embalagens de alimentos. Pior: 75% nem sequer leem os rótulos e 45% não sabem que os produtos industrializados podem conter sal.


Segundo a Organização Mundial da Saúde, o consumo diário de sal não deve exceder 6 gramas por dia - uma colher de chá. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) deve lançar em breve uma nova diretriz reduzindo esse valor recomendado para 5 g.

Estudo recente no New England Journal of Medicine apontou que diminuir o consumo de sal pode reduzir doenças cardiovasculares tanto quanto parar de fumar, combater a obesidade e controlar o colesterol. O problema é que a tabela nutricional das embalagens não informa a quantidade de sal e sim a de sódio - um dos componentes do sal de cozinha e o verdadeiro causador da pressão alta.

Para aumentar a confusão, o sódio não está apenas em alimentos salgados, mas também em conservantes (nitrito de sódio e nitrato de sódio), adoçantes (ciclamato de sódio e sacarina sódica), fermentos (bicarbonato de sódio) e realçadores de sabor (glutamato monossódico).

"Isoladamente, o sódio não tem sabor, mas apenas 24% dos entrevistados sabiam disso", diz a nutricionista Cristiane Kovacs, uma das autoras do estudo. "Costuma-se recomendar a redução no consumo de sal porque ele é a principal fonte de sódio da alimentação, mas não é a única."

O cardiologista Daniel Magnoni, coordenador da pesquisa, explica que é preciso multiplicar o valor de sódio no rótulo por 2,5 para saber o quanto aquilo corresponde em gramas de sal. Um alimento com 500 mg de sódio representa 1,25 g de sal (mais informações nesta página).

"Estou elaborando uma proposta governamental para alterar a informação dos rótulos para que contenham a quantidade de sal", diz Magnoni. Mas, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, não seria possível fazer essa alteração porque muitos alimentos - como o leite - contêm naturalmente sódio, mas não sal. "Declarar a quantidade de sal em um alimento que não teve adição desse ingrediente seria enganar o consumidor", afirmou a agência em nota.

Orientação. Os pacientes não estão sendo adequadamente orientados, admite Magnoni. "O médico não tem tempo de falar sobre alimentação no hospital público. Ele atende a muitos pacientes e tem de falar de cura, de remédios. A porta de entrada do sistema de saúde tem de ter um nutricionista."

Outra saída para reduzir não apenas os índices de hipertensão, mas também de diabete e obesidade, seria incluir no currículo escolar informações sobre alimentação saudável. "Isso é um problema de saúde pública, custa bilhões ao sistema de saúde. Se eu fosse assessor do próximo presidente, criaria o programa Obesidade Zero."

Levantamento recente do Ministério da Saúde apontou que a hipertensão atinge um em cada quatro brasileiros. O número de casos cresceu 13,4% nos últimos três anos, passando de 21,5% para 24,4%. Entre as pessoas com mais de 65 anos a prevalência é de 63,2%. A pressão alta é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, o que explica porque a cada ano 315 mil brasileiros morrem de enfarte ou acidente vascular cerebral (AVC). Isso corresponde a quase 30% das mortes.

E mesmo os hipertensos que sabem da doença e têm acompanhamento médico há mais de cinco anos abusam do sal. "Em vez de reduzirem o consumo, vão aumentando a quantidade de medicamentos", conta Magnoni. Quase 30% dos entrevistados afirmaram tomar dois ou até três medicamentos para a pressão. Os pesquisadores apontam como principais vilões da alimentação desses pacientes os temperos prontos, enlatados, conservas, queijos e embutidos.